Aliança PDT–PSB volta ao debate e futuro de Mauro Filho segue indefinido

Parlamentar condiciona permanência à reaproximação entre as siglas; direção estadual mantém posição de disputar 2026 sem federação.
Deputado Mauro Filho critica Taxa de Juros

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Foto: Reprodução/Instagram

A permanência do deputado federal Mauro Filho no PDT voltou a ser um dos principais temas da política cearense. Sem pressa para anunciar uma decisão, o parlamentar indica que só baterá o martelo na janela partidária de 2026, prevista para abril. Até lá, segue em articulação com as duas figuras centrais da legenda no Estado: André Figueiredo, presidente regional, e o senador Cid Gomes, líder do PSB no Ceará.

Segundo Mauro, o ponto decisivo será a retomada de uma composição formal entre PDT e PSB, tese que perdeu força no início do ano, mas que ele tenta reaquecer. “A minha base toda, os prefeitos estão no PSB”, disse o deputado, ao defender que uma aliança reconstruída abriria espaço para sua continuidade no partido. O movimento, porém, não está consolidado internamente.

PDT debate 2026 sem federação e reforça proximidade com o PT

Apesar do esforço de Mauro, a direção estadual trabalha com outro cenário. Em reuniões recentes, presididas por André Figueiredo e pelo presidente municipal Iraguassu Filho, prevaleceu a ideia de disputar 2026 sem federação partidária. O partido vem, por outro lado, reforçando laços com o PT, movimento que ganhou visibilidade durante a convenção pedetista realizada em novembro.

Na ocasião, o governador Elmano de Freitas e o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, foram figuras centrais no evento. O próprio Elmano se comprometeu a apoiar a reeleição de Mauro Filho e André Figueiredo, destacando que uma bancada federal fortalecida do PDT interessa ao Estado. A fala buscou pacificar as relações entre PT e PDT, estremecidas desde 2022.

Mesmo assim, o gesto não foi suficiente para eliminar dúvidas sobre o futuro da bancada pedetista. Dos cinco deputados federais eleitos em 2022, só André Figueiredo garante permanecer na legenda. Mauro, que parecia consolidado durante a convenção, voltou a demonstrar hesitação. Já Idilvan Alencar, Robério Monteiro e Eduardo Bismarck avaliam alternativas.

Deputados estaduais e cenário de migração: incerteza volta ao debate

A instabilidade também alcança os quadros da Assembleia Legislativa. O cálculo inicial no PDT era que parlamentares alinhados à oposição — Cláudio Pinho, Antônio Henrique, Queiroz Filho e Lucílvio Girão — migrariam para PL ou União Brasil. Mauro Filho, porém, relativizou: “Será que eles vão sair mesmo? Vamos conversar com eles”.

O comentário reabriu discussões sobre a sustentação da legenda no ambiente estadual, agora integrante da base do governo Elmano.

Expulsão de PP Cell avança na capital

Se há incertezas sobre deputados federais e estaduais, a situação do vereador PP Cell, em Fortaleza, é definitiva. A sigla iniciou o processo de expulsão do parlamentar, que integra a oposição na Câmara. O pedetista argumenta que não mudou de lado — e que o PDT, antes oposicionista, tornou-se base aliada — e por isso reivindica uma carta de anuência para se desfiliar sem sanções.

O pedido, no entanto, não prosperou. A solicitação de expulsão partiu do vice-presidente municipal Adail Jr., que defende a retirada imediata de filiados que não concordem com o alinhamento ao PT. Adail também cobrou publicamente que Mauro Filho formalizasse ainda em dezembro se sairia ou não do partido.

Um partido em reorganização

A discussão sobre Mauro Filho evidencia um processo mais amplo: o PDT tenta se reorganizar para 2026 enquanto lida com dúvidas internas, disputas regionais e ajustes na relação com o PT. A janela partidária de abril será decisiva não apenas para o futuro do deputado, mas para a configuração da chapa pedetista nas eleições do próximo ano.