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A alienação parental, frequentemente invisibilizada, tem impactos profundos na formação emocional de crianças e adolescentes que vivem em contextos de conflito familiar. O afastamento induzido de um dos genitores pode gerar consequências que vão muito além do ambiente doméstico, refletindo-se no comportamento, no desempenho escolar e nas relações interpessoais.
A Defensoria Pública do Ceará tem reforçado a necessidade de reconhecer os sinais desse tipo de violência psicológica e de buscar soluções que preservem o direito das crianças e adolescentes a uma convivência familiar equilibrada. De acordo com a defensora Michele Camelo, supervisora das Defensorias de Família da capital, a alienação parental pode ocorrer de diferentes formas, como a desqualificação do outro genitor, a criação de memórias falsas e o distanciamento físico proposital.
“O impacto vai muito além da relação com os pais. Crianças e adolescentes que são alienados desenvolvem sentimentos de culpa, medo e insegurança, que podem se manifestar ao longo da vida em dificuldades emocionais e relações interpessoais fragilizadas”, explica a defensora.
A Lei Nº 12.318, sancionada em 2010, define a alienação parental e estabelece medidas para coibir sua prática. No entanto, o tema gera debates, e especialistas alertam para o risco de interpretações que desconsiderem contextos de violência doméstica.
A psicóloga Andreya Arruda, que coordena o setor psicossocial da Defensoria Pública do Ceará, destaca que crianças expostas a esse tipo de situação podem carregar um sofrimento que compromete sua autoestima.
“Quando um dos pais é retratado constantemente como inadequado, a criança pode internalizar essa imagem e sentir que também não é suficiente”, observa.
Diante dessa realidade, a Defensoria pública oferece suporte jurídico e psicossocial para famílias que enfrentam esse problema. O atendimento inclui mediação de conflitos pelo Núcleo de Soluções de Conflitos (Nusol), além de assistência para judicialização de casos quando necessário.
A orientação para os pais que percebem sinais de alienação parental é buscar apoio profissional e priorizar o bem-estar da criança, promovendo um ambiente em que ela se sinta segura para construir suas próprias percepções sobre a relação com cada genitor. Afinal, a separação pode encerrar um casamento, mas não deve comprometer o vínculo entre pais e filhos.
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