A morte do ex-deputado federal Ariosto Holanda – ocorrida neste sábado (21) – encerra um capítulo raro da vida pública cearense, marcado por coerência, preparo técnico e compromisso com o desenvolvimento. Engenheiro, professor e homem de pensamento, ele levou para a política uma visão estratégica que nem sempre encontra espaço no cotidiano do poder: a de que educação, ciência e tecnologia são os verdadeiros motores da transformação social.
Foram seis mandatos na Câmara dos Deputados e passagens decisivas pelo Governo do Ceará, especialmente à frente da Secretaria de Ciência e Tecnologia, onde ajudou a estruturar bases que ainda hoje sustentam políticas públicas na área. Não se limitou ao discurso — como lembrou o presidente do Centec, Acrísio Sena, “ele não ficou no discurso, ele construiu”.
O reconhecimento veio em vida, com condecorações nacionais e respeito transversal. Mas talvez o maior legado esteja na formação de uma cultura que valoriza o conhecimento como vetor de desenvolvimento. Cid Gomes destacou que Ariosto “já indicava que esse era o caminho do futuro”, enquanto Tasso Jereissati o definiu como “um visionário” cujo legado é “imensurável”.
Elmano de Freitas resumiu com precisão: Ariosto “colaborou muito para o desenvolvimento do nosso Ceará”. E não se trata de gentileza protocolar. Trata-se de um consenso entre diferentes correntes políticas — algo cada vez mais raro — de que sua atuação foi acima da média.
Na essência, Ariosto Holanda foi daqueles homens públicos que dignificam a política. Um técnico respeitado, um parlamentar produtivo, um gestor que pensava o futuro e um professor que compreendia o valor do conhecimento.
O Ceará e o Brasil lhe devem gratidão.
Aos familiares, especialmente ao seu filho Paulo André Holanda, à frente do Sesi e do Senai no Ceará, ficam as condolências e o reconhecimento por compartilhar com o país a trajetória de um homem que fez da vida pública um exercício de excelência e propósito.




