A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de negar a prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro gerou forte reação de seus filhos nas redes sociais nesta quinta-feira (1º). Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Carlos Bolsonaro (PL-RJ) criticaram duramente o magistrado e afirmaram que a medida coloca em risco a saúde do ex-presidente.

“Até quando Moraes terá procuração para praticar a tortura?”, escreveu Flávio no X (antigo Twitter). O senador classificou a decisão como “cheia de sarcasmo” e contestou a avaliação do ministro de que o estado clínico do ex-presidente apresentou melhora.
“O laudo médico é claro em apontar que ele precisa de cuidados permanentes que não podem ser garantidos numa prisão — existe até o risco de AVC em função das complicações em sua saúde”, afirmou. Ele encerrou a publicação dirigindo ofensa ao magistrado: “Leia o laudo, ser abjeto!”.
Moraes acaba de negar a prisão domiciliar de @jairbolsonaro , mesmo diante de todas as condições de saúde expostas nos últimos dias e precedentes apresentados pelos advogados do meu Pai. Qualquer pessoa de bom senso sabe qual é a missão dada, que precisa ser cumprida, e desde…
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) January 1, 2026
Carlos Bolsonaro também se manifestou. Segundo ele, a decisão integraria um suposto complô contra o pai. “Qualquer pessoa de bom senso sabe qual é a missão dada, que precisa ser cumprida, e desde quando ela foi emitida pela primeira vez…”, escreveu. Em outro texto, afirmou que as decisões de Moraes “violam garantias constitucionais básicas” e que exporiam Bolsonaro a “riscos reais, físicos e humanos”.
O vereador ainda compartilhou publicação do senador Magno Malta (PL-ES), que negou haver risco de fuga ou descumprimento de cautelares. Segundo o aliado, a negativa da prisão domiciliar seria “punição, exposição e crueldade impostas por Alexandre de Moraes”.
Decisão mantida
A reação ocorre após Moraes rejeitar o pedido da defesa para que Bolsonaro permanecesse em casa após receber alta do hospital DF Star, em Brasília. O ex-presidente esteve internado desde 24 de dezembro, passando por três cirurgias eletivas para tratar crises de soluço, hérnia e picos de hipertensão.
No despacho, Moraes afirmou que não houve qualquer fato novo capaz de alterar o entendimento adotado em 19 de dezembro de 2025, quando já havia negado a conversão da prisão.
“Há total ausência dos requisitos legais para a concessão de prisão domiciliar”, escreveu. O ministro citou “reiterados descumprimentos de medidas cautelares” e “atos concretos visando à fuga”, incluindo a “destruição deliberada da tornozeleira eletrônica”.
Com a decisão, Bolsonaro deverá retornar à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal após a alta médica, prevista para esta quinta-feira. Moraes reiterou que todas as prescrições clínicas podem ser atendidas na estrutura da PF, que dispõe de plantão médico contínuo.
“As prescrições médicas apresentadas podem ser integralmente cumpridas na Superintendência da Polícia Federal”, registrou o ministro, citando ainda que não houve agravamento do quadro clínico.
Contexto da prisão
Bolsonaro foi preso preventivamente em 22 de novembro, por ordem de Moraes, após tentar romper a tornozeleira eletrônica com ferro de solda. A Primeira Turma do STF confirmou a decisão na semana seguinte.
Segundo pesquisa Datafolha de dezembro, “54% concordam que Bolsonaro tinha intenção de fugir”.
A defesa do ex-presidente segue insistindo na necessidade de prisão domiciliar por razões médicas, argumento que, até o momento, não foi acolhido pelo Supremo.




