A Justiça Eleitoral está tendo trabalho na campanha cearense. E, pelo ritmo dos últimos dias, dificilmente terá sossego até o fechamento das urnas.
De um lado, o governador Elmano de Freitas (PT) obteve direito de resposta contra o deputado federal André Fernandes (PL) por causa de um jingle considerado ofensivo. O parlamentar publicou a resposta, mas, logo depois, lançou outra música, substituindo “El Mano” por “O Mano”.
Do outro lado, o próprio Elmano, Camilo Santana, Gabriella Aguiar e Chagas Vieira foram obrigados a retirar das redes um vídeo gravado no canteiro de obras do Hospital Universitário da UFCA, no Cariri.
A decisão atendeu a uma ação da coligação de Ciro Gomes (PSDB). Para o juiz auxiliar da propaganda eleitoral, houve indícios de uso privilegiado de espaço público para fins de campanha. Além da remoção, ficou proibido o reaproveitamento das imagens, sob pena de multa de R$ 10 mil.
Os dois episódios mostram que a fiscalização não escolheu lado. Governo e oposição estão submetidos às mesmas regras — e ambos recorrem aos tribunais quando entendem que o adversário ultrapassou o limite.
A campanha, assim, vai sendo disputada em duas pistas: nas ruas, no rádio e TV e redes sociais, onde os ataques circulam rapidamente, e no TRE-CE, chamado a decidir até onde pode ir a criatividade eleitoral.
Esse jogo de gato e rato deve continuar. A cada punição, surge uma nova versão, outra postagem ou uma estratégia diferente. Só não vale esquecer que, enquanto candidatos testam as fronteiras da lei, a Justiça Eleitoral permanece com o apito na mão.




