Brasil Contra o Crime Organizado mira finanças e comando das facções

Estratégia une inteligência, sistema prisional e investigação de homicídios.

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O governo federal lançou uma nova ofensiva nacional contra o avanço das facções criminosas no país. Batizado de Brasil Contra o Crime Organizado, o programa prevê mais de R$ 1 bilhão em investimentos federais ainda em 2026, além de uma linha de crédito de R$ 10 bilhões via BNDES para estados e municípios ampliarem estruturas de segurança e modernizarem presídios.

O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio ao crescimento da preocupação nacional com a segurança pública e à expansão das facções para além dos grandes centros urbanos. A principal aposta do programa está no sistema penitenciário, considerado hoje um dos principais centros de comando do crime organizado no país.

A estratégia prevê transformar 138 unidades prisionais dos 26 estados e do Distrito Federal em estruturas inspiradas nos presídios federais de segurança máxima. A intenção é dificultar a comunicação das lideranças criminosas com integrantes que atuam fora das cadeias. Entre os equipamentos previstos estão bloqueadores de celular, scanners corporais, drones de vigilância, detectores de metal e sistemas integrados de áudio e vídeo.

Durante o lançamento, Lula defendeu maior integração entre União, estados e municípios. “Se a gente não trabalhar junto, a gente não consegue vencer. E o crime organizado se aproveita da nossa divisão”, afirmou o presidente.

O programa foi estruturado em quatro frentes principais: combate ao financiamento das facções, endurecimento do controle penitenciário, ampliação da investigação de homicídios e enfrentamento ao tráfico de armas. O maior volume de recursos será destinado justamente ao rastreamento financeiro das organizações criminosas, com foco em lavagem de dinheiro, recuperação de ativos e operações interestaduais integradas.

Na avaliação do governo, o desafio agora será transformar investimento em resultado concreto. Especialistas em segurança pública lembram que iniciativas semelhantes já foram anunciadas em outros momentos, mas enfrentaram dificuldades de coordenação entre estados, manutenção de recursos e combate à corrupção interna nos sistemas penitenciários.

A nova estratégia também tem forte peso político. Ao assumir uma agenda tradicionalmente explorada pela oposição, o Palácio do Planalto tenta demonstrar resposta prática ao avanço das facções e à crescente sensação de insegurança relatada pela população brasileira.