Foto: Pedro Teixeira/PL
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) minimizou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a tentativa de golpe de Estado e ironizou a possibilidade de ser preso. Durante sua primeira aparição pública após a manifestação da PGR, nesta quinta-feira (20), em Brasília, Bolsonaro adotou tom de deboche ao comentar as acusações.
“Para mim, seria muito mais fácil estar do outro lado junto, com a dona Michelle, aproveitando a vida. Mas não poderia continuar vendo meu país se deteriorar, se acabar, se afundar. Um país onde se rouba esperança do seu povo. O tempo todo [falam]: ‘Vamos prender o Bolsonaro’. Caguei para prisão!”, afirmou o ex-presidente em discurso no Primeiro Seminário de Comunicação do PL, evento que reuniu apoiadores e parlamentares do partido.
Bolsonaro e outros 33 nomes são acusados de integrar uma organização criminosa para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2023. A denúncia da PGR aponta que a articulação envolveu a disseminação de desinformação, reuniões para discutir estratégias e até um esboço de decreto para reverter o resultado da eleição.
Deboche e defesa
Além de descartar a gravidade das acusações, Bolsonaro ironizou os argumentos apresentados pela PGR. Chamou o caso de “golpe da Disney”, fazendo referência ao fato de estar nos Estados Unidos durante os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
“Eu estava lá [nos Estados Unidos] com o Pato Donald e o Mickey e tentei dar o golpe de 8 de janeiro aqui?”, disse, arrancando risos da plateia.
No discurso, Bolsonaro reafirmou sua versão de que não houve tentativa de golpe e disse estar com a “consciência tranquila”. Segundo ele, sua atuação sempre esteve dentro dos limites da Constituição e as acusações não se sustentam.
Denúncia formalizada
A denúncia foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, na terça-feira (18). Bolsonaro foi formalmente acusado de quatro crimes:
- Liderar organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado contra o patrimônio da União, com grave ameaça e violência.
Se condenado, as penas podem chegar a cerca de 40 anos de prisão. Também foram denunciados os generais Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa, que está preso preventivamente desde dezembro de 2024.
A defesa do ex-presidente ainda não se manifestou formalmente sobre a denúncia, mas aliados avaliam que Bolsonaro deve reforçar o tom de perseguição política e buscar apoio jurídico para barrar o avanço do caso no STF.




