Mesmo com ecopontos em funcionamento e monitoramento eletrônico espalhado pela cidade, Fortaleza ainda enfrenta dificuldades para conter o descarte irregular de resíduos em vias públicas. Levantamento da Prefeitura de Fortaleza identificou 1.298 ocorrências registradas por câmeras instaladas próximas a ecopontos da Capital apenas nos quatro primeiros meses de 2026.
Os dados revelam um contraste: boa parte dos descartes aconteceu justamente durante o horário de funcionamento dos equipamentos públicos destinados ao recebimento correto do lixo. O pico foi registrado às 17h, período em que os ecopontos estavam abertos e operando normalmente.
Entre os resíduos mais encontrados estão lixo comum, entulho, podas e materiais volumosos, como móveis. A maioria das ocorrências envolve pedestres e carroceiros, enquanto carros, motos e caminhões aparecem em menor proporção.
O monitoramento é feito pelo Centro Integrado de Videomonitoramento de Fortaleza (CIVFor), com apoio do sistema de inteligência artificial EcovigIA, utilizado para identificar possíveis infrações em tempo real. Apesar da tecnologia, a identificação dos responsáveis ainda enfrenta limitações, especialmente nos casos sem placas ou elementos que permitam individualizar a infração.
As imagens já resultaram em dezenas de autos de infração, com multas que podem ultrapassar R$ 100 mil em situações agravadas pela legislação municipal. A fiscalização integra a operação Capital Limpa e Ordenada, que também atua na remoção de pontos de lixo e recuperação de áreas degradadas.
O cenário reforça que o desafio da limpeza urbana não depende apenas de fiscalização e tecnologia. A existência de estruturas adequadas para descarte mostra que a questão passa também por mudança de comportamento e conscientização coletiva sobre o uso dos espaços públicos.




