Foto: Carlos Gibaja
O governador Elmano de Freitas (PT) comentou pela primeira vez, de forma mais enfática, o retorno do PDT à base do governo estadual. Segundo ele, a aproximação, formalizada no fim de semana, é fruto de um diálogo iniciado ainda no início da sua gestão.
“Desde que assumi como governador, eu procurei o PDT para conversar. E fico muito feliz que, nesse momento, a gente possa aprofundar ainda mais [essa relação]”, disse.
A adesão do PDT ao bloco governista foi oficializada, mas com uma peculiaridade: os deputados estaduais do partido continuarão livres para manter suas posições na Assembleia Legislativa, inclusive na oposição. Para Elmano, esse arranjo não representa obstáculo.
“Vamos dialogar com muita humildade e buscando ter um partido importante, na minha opinião, do campo progressista do País e do Ceará, para podermos avançar e aprofundar nosso projeto”, afirmou.
A articulação foi conduzida diretamente pelo governador, em reuniões com a bancada federal pedetista. O presidente estadual da sigla, deputado André Figueiredo, confirmou que a iniciativa partiu de Elmano. Segundo o governador, o histórico político do PDT contribui para reforçar o enfrentamento à extrema-direita no estado.
Além do PDT, o governador voltou a falar sobre o interesse do PT em atrair o União Brasil para a base aliada. A movimentação já havia sido antecipada pelo ministro Camilo Santana, que vem conduzindo conversas com nomes do partido considerados mais próximos do governo, como os deputados federais Fernanda Pessoa e Moses Rodrigues.
“Sabemos que o União Brasil tem uma divisão, tem parlamentares e lideranças que são da oposição, parlamentares que são da base do governo do presidente Lula, que são da base do nosso governo”, reconheceu Elmano. “Vamos, evidentemente, dialogar permanentemente com todos os partidos que queiram colaborar com o que tem sido feito no estado do Ceará.”
A costura, no entanto, esbarra em movimentos contrários liderados por figuras como Capitão Wagner, presidente estadual do União Brasil, que tenta manter o partido na oposição. Ele reagiu à aproximação do PT com críticas ao ministro Camilo Santana, rebatendo o discurso governista sobre a filiação do ex-prefeito Roberto Cláudio à legenda.
Para Elmano, o tom crítico faz parte do jogo.
“Para a oposição, é certo ela fazer o debate eleitoral. Para quem é do governo, acho que tem que se intensificar e se concentrar em fazer as entregas”, concluiu.




