O Congresso Nacional aprovou nesta quinta-feira (4) a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 (LDO 2026), que incorpora um reajuste extra para o Fundo Partidário — o dinheiro público destinado a cobrir despesas administrativas das legendas. Segundo cálculos oficiais, a correção pode representar cerca de R$ 160 milhões a mais no orçamento de 2026.
💰 O que foi aprovado — e o que muda
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A proposta, criada no âmbito da Comissão Mista de Orçamento (CMO), autoriza que o Fundo Partidário seja reajustado retroativamente a partir de 2016, à luz das regras do Novo Arcabouço Fiscal, que permite aumento de até 2,5% acima da inflação ao ano.
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A correção amplia os recursos à disposição dos partidos para custear suas atividades de funcionamento — não campanhas eleitorais, mas despesas como manutenção, estrutura e funcionamento interno da legenda.
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No mesmo pacote orçamentário, o Congresso ratificou a destinação de R$ 4,9 bilhões para o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (fundo eleitoral) em 2026 — quase cinco vezes o valor originalmente proposto pelo governo.
Reações no Congresso e crítica ao custo adicional
A medida provocou reações divididas no Legislativo:
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O relator da LDO, Gervásio Maia (PSB-PB), manifestou-se contrário ao reajuste. Ele criticou a correção do Fundo Partidário como uma decisão que não condiz com “a realidade do país”, considerando “absurdo” usar recursos públicos para ampliar a verba de partidos quando há tantas demandas sociais.
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Também o Novo — único partido a apresentar destaque para retirar o dispositivo — questionou o aumento. Mesmo assim, o pedido foi derrotado e a correção mantida.
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Partidos de diferentes matizes — inclusive oposição — apoiaram o acréscimo, alegando que se trata de garantir o funcionamento das legendas. Entre eles, o autor da proposta, Luiz Carlos Motta (PL-SP), argumentou que o reajuste “é de interesse de todos os partidos”.
Para justificar o custo adicional, os defensores da medida evocam a lógica de que os partidos precisam de recursos para operar, especialmente em véspera de ano eleitoral — mas a polêmica gira em torno da prioridade dada a esse gasto.
Contexto orçamentário e desafios para a sociedade
A aprovação da LDO 2026 traz um conjunto de diretrizes mais amplo — inclusive a meta de superávit primário de R$ 34,3 bilhões.
Mas ao mesmo tempo, o acréscimo ao Fundo Partidário expõe um dilema recorrente: usar recursos públicos para custear partidos enquanto há carência de investimentos em áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura.
Para críticos, o reajuste representa uma escolha de prioridades no parlamento que pode soar desconectada da realidade de muitos brasileiros. A contrapartida — ou a mitigação — dependerá do que o governo fará após a sanção da lei: há a possibilidade de veto, como já aventado por lideranças da base governista, como o Randolfe Rodrigues.
Por que essa decisão importa
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Transparência e legitimidade: O uso de dinheiro público para financiar partidos e campanhas exige transparência — afinal, é o contribuinte quem está pagando. Um reajuste automático e amplo, como o aprovado, levanta dúvidas sobre controle e accountability.
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Equilíbrio de prioridades: Num momento em que o país ainda enfrenta desafios sociais e econômicos, toda alocação adicional de recursos públicos tende a ser alvo de debate sobre o que realmente é prioridade.
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Custo político e simbólico: A aprovação em plena véspera de eleições — com grande aumento de verbas para campanhas e partidos — pode reforçar percepções de que a política continua distante da realidade de grande parte da população.




