De “miliciano” a aliado: a virada entre Ciro e Capitão Wagner

Ex-adversários políticos ferrenhos enterram disputas e trocam elogios em ato que redesenha o mapa da oposição no Ceará.

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O ato de filiação de Roberto Cláudio ao União Brasil, em Brasília, marcou também a reconciliação pública entre Ciro Gomes (PSDB) e Capitão Wagner (União Brasil), após anos de embates políticos e judiciais. Diante de lideranças nacionais e cearenses, Ciro admitiu ter “cometido erros” ao atacar o agora aliado, dizendo que suas críticas eram motivadas por “solidariedade cega” ao irmão, Cid Gomes.

“Hoje percebo que aquela agressividade [do Capitão] era um espírito público ainda não burilado”, afirmou Ciro, destacando que o ex-deputado agia “de boa-fé” ao representar os interesses da corporação policial. O gesto, que surpreendeu o público presente, foi retribuído por Wagner com o anúncio da retirada de três processos que movia contra o ex-governador.

“Em nenhum momento imaginei que o Ciro teria a humildade de reconhecer que errou comigo, como eu também errei em relação a ele”, declarou Wagner.

As disputas entre ambos vinham desde 2012, quando Ciro o acusou de liderar motins da Polícia Militar e chegou a chamá-lo de “miliciano”. Em 2022, foi condenado a pagar indenização por danos morais.

A trégua ocorre em meio à reorganização da oposição no Ceará e sugere mais que uma reconciliação pessoal: um gesto simbólico de pacificação política, em um momento de reposicionamento de forças para 2026.