Dólar avança em meio a incertezas internacionais e cautela no Brasil

Investidores aguardam medidas fiscais enquanto o cenário externo pressiona moedas emergentes.
Alta do dólar americano

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O dólar encerrou o pregão em alta nesta quarta-feira (16), impulsionado por um cenário externo desafiador para moedas emergentes, como o real. A incerteza sobre a política monetária dos Estados Unidos e o futuro da economia global mantém o mercado em alerta, com investidores reagindo a possíveis aumentos nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) e à especulação sobre uma eventual volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos.

Esse contexto global desfavorável, somado às dúvidas sobre a política fiscal brasileira, fez com que o dólar à vista subisse 0,14%, fechando o dia cotado a R$ 5,6651. O contrato futuro de novembro também apresentou alta de 0,21%, encerrando em R$ 5,6720.

Entre os fatores que contribuíram para o desempenho do câmbio está a reavaliação das expectativas em relação ao Fed, que pode manter uma postura mais rígida quanto à política de juros. O cenário de maior protecionismo nos Estados Unidos, caso Trump retorne ao poder, também preocupa, especialmente em relação a possíveis medidas que afetem o comércio global.

No Brasil, apesar de o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reiterar o compromisso do governo com o novo arcabouço fiscal, o mercado ainda aguarda ações concretas para consolidar a confiança. As declarações de Haddad, durante a tarde, trouxeram um alívio temporário, mas não foram suficientes para segurar a moeda americana, que continuou a subir.

Enquanto o real foi afetado moderadamente, o peso mexicano teve uma das piores performances entre as moedas emergentes, com uma valorização de quase 1% do dólar em relação à moeda mexicana. A volatilidade no mercado cambial reflete as incertezas tanto no cenário global quanto local, com os investidores buscando clareza sobre os próximos passos tanto do governo brasileiro quanto do banco central dos EUA.

O comportamento do mercado cambial deve continuar sendo influenciado pelas tensões externas e pela expectativa de medidas fiscais concretas no Brasil. Para especialistas, como Adauto Lima, da Western Asset, a perspectiva de depreciação do real ainda está no radar, com projeções de que o câmbio pode terminar o ano em torno de R$ 5,50.

 

(Com informações da Agência Estado)