Foto: Carlos Gibaja
O sucesso da 28ª edição da Pecnordeste, que acontece em Fortaleza, revelou mais que números robustos e discursos entusiasmados. Mostrou, sobretudo, a sintonia cada vez mais clara entre o agronegócio cearense e o governo estadual, liderado por Elmano de Freitas. Algo que, até pouco tempo, soaria improvável. Afinal, o histórico do governador como defensor de pautas ligadas à reforma agrária e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) gerava desconfiança entre setores do agro.
Mas os tempos mudaram. A solenidade de abertura do evento foi um termômetro disso. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, fez questão de destacar a colaboração do governo estadual e enalteceu medidas como a isenção de ICMS para produtores de leite e a desburocratização do licenciamento ambiental para pequenos produtores de camarão. Já o presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), João Martins, foi direto:
“Ajudem o agro. Nós acreditamos no Brasil. Nós já mostramos que somos capazes de fazer”. E, naquele palco, ninguém parecia discordar.
Em seu discurso, Elmano retribuiu os gestos e aproveitou o bom momento para reforçar o compromisso do governo com o desenvolvimento do setor. Citou o apoio à Ferrovia Transnordestina, que barateará a ração animal ao facilitar a chegada de grãos de outros estados; falou sobre o avanço nas obras do Eixão das Águas, vital para o abastecimento hídrico do estado; e anunciou um ambicioso projeto: transformar o antigo autódromo do Eusébio no maior parque agropecuário do país, o Agro Parque.
Essa aproximação, construída com gestos concretos de parte a parte, vai na contramão da polarização política que frequentemente inviabiliza o diálogo no Brasil. Elmano e o agro cearense parecem ter superado a fase das desconfianças, guiados por um interesse comum: fazer o Ceará crescer com equilíbrio, inclusão e produtividade.
Mais do que discursos, o que se viu na Pecnordeste foi a construção de uma ponte política e institucional rara nos tempos atuais. E o recado que fica – do campo para o país – é claro: quando há diálogo, o Brasil avança.




