A disputa pelas duas vagas do Ceará no Senado expõe uma dificuldade que o governador Elmano de Freitas (PT) tenta administrar: transformar uma aliança numerosa em apoio efetivo a Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede).
Embora integrem a mesma chapa, os candidatos não aparecem juntos em todos os palanques. Há prefeitos aliados que demonstram preferência por apenas um deles — e alguns materiais de campanha já deixam essa divisão visível.
Elmano evita tratar o problema como ruptura. Prefere o diálogo e sustenta que a maioria dos gestores municipais terminará apoiando a dobradinha governista.
“Eu estou com uma esperança enorme de que nós vamos eleger os dois”, afirmou o governador, atribuindo ao eleitor a decisão final.
O projeto é formar uma bancada composta por Cid, Luizianne e Camilo Santana, senador atualmente no exercício de mandato.
A ambição é politicamente compreensível, mas exigirá mais do que discursos de unidade. Na eleição para o Senado, cada prefeito tem seus compromissos, afinidades e cálculos locais.
O desafio de Elmano, portanto, será fazer a aliança funcionar também no voto. Afinal, em campanha com dois candidatos, apoio pela metade pode produzir um resultado inteiro para o adversário.




