FIEC presente: Setor agroindustrial debate clima e competitividade rumo à COP30

Reunião COAGRO

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Foto: Divulgação

Com a COP30 no horizonte, marcada para novembro em Belém (PA), o setor agroindustrial brasileiro começa a ajustar o compasso. Semana passada, representantes de entidades empresariais e do governo se reuniram em Brasília, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), para discutir os caminhos da agroindústria diante da agenda climática global.

O encontro foi promovido pelo Conselho Temático da Agroindústria (Coagro), que realizou sua segunda reunião ordinária de 2025 com foco claro: preparar o setor produtivo para participar ativamente da próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

Entre os presentes, destaque para o cearense José Antunes Mota, presidente do Sindlacticínios e conselheiro do Agronegócio da CNI. Representando a Federação das Indústrias do Ceará (FIEC), Mota defendeu o protagonismo do Nordeste na transição energética, citando o projeto de hidrogênio verde na ZPE Ceará e a instalação de um data center movido a energia limpa no Complexo do Pecém como exemplos concretos da contribuição regional.

A reunião também contou com a participação de diplomatas do Ministério das Relações Exteriores (MRE), que apresentaram as diretrizes das negociações agrícolas que o Brasil levará à COP30. Para a ministra Grace Tanno, da Divisão de Política Agrícola do MRE, o país está tecnicamente apto para liderar soluções sustentáveis: “A agroindústria brasileira tem capacidade e tecnologia para liderar a transição para uma economia de baixo carbono”, afirmou.

Outro ponto relevante foi a apresentação da Sustainable Business COP30, aliança empresarial coordenada pela CNI para articular a participação oficial do setor privado no evento. A proposta é clara: levar contribuições para as mesas de negociação e fortalecer a imagem do Brasil como potência ambiental — sem abrir mão da competitividade.

As discussões também abordaram os reflexos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos do agronegócio brasileiro, conectando sustentabilidade com comércio exterior e reforçando a necessidade de estratégias que garantam resiliência econômica em um cenário de exigências ambientais crescentes.

Com pouco mais de três meses até a COP30, o setor produtivo brasileiro mostra que pretende chegar à conferência não apenas como expectador, mas como agente de propostas. E, ao que tudo indica, a agroindústria será um dos principais interlocutores.