O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou neste domingo a Roma para participar da abertura do Fórum Mundial da Alimentação, promovido pela FAO (Organação das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). Sua participação está prevista para o dia 13, quando será o orador principal do evento, que se estende até o dia 18. Paralelamente, Lula também terá encontros diplomáticos de peso, entre eles uma audiência no Vaticano com o Papa Leão XIV.
Retirada do Brasil do “Mapa da Fome” e os dados por trás do anúncio
Em julho deste ano, a FAO divulgou que o Brasil voltou a ficar abaixo do limiar de 2,5% da população em risco de subnutrição — critério para sair do “Mapa da Fome”.
Segundo o relatório SOFI 2025 (“O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo”), na média do triênio 2022–2024, o país registrou índice inferior a esse patamar, o que sustentou a decisão técnica de retirá-lo desse mapa.
Ainda assim, a saída do mapa não deve ser interpretada como o fim da fome ou da insegurança alimentar no país. Especialistas lembram que muitos brasileiros seguem enfrentando dificuldades para garantir alimentação adequada. O relatório aponta que, em 2024, cerca de 28,5 milhões de pessoas viviam sob algum grau de insegurança alimentar — variando de moderada a grave.
No panorama global, o relatório SOFI aponta que cerca de 673 milhões de pessoas — cerca de 8,2% da população mundial — enfrentaram fome em 2024.
Expectativas e desafios para o Fórum Mundial da Alimentação
Lula deverá destacar em seu discurso o papel do Brasil como exemplo, segundo sua narrativa, ao retomar a trajetória de redução da fome, mencionando a retirada de “30 milhões de pessoas da fome em dois anos e meio” em seu governo – frase dessa natureza foi citada em entrevista.
No entanto, para além dos números simbólicos, fontes internacionais e órgãos técnicos tendem a observar com cautela:
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A metodologia da FAO leva em conta médias trienais — o que dilui oscilações pontuais.
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A insegurança alimentar leve ou moderada ainda persiste em áreas urbanas e periféricas, principalmente junto a populações vulneráveis.
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Garantir que a retirada do Brasil do mapa seja sustentável exige políticas robustas de emprego, renda, assistência social, infraestrutura agrícola e logística.
O fórum em Roma também reunirá discussões sobre a Iniciativa de Implementação Acelerada (Fast Track), que apoia países com planos nacionais para redução da fome e pobreza, e contará com a participação de representantes de países africanos e latino-americanos. Além disso, ocorrerá reunião do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza — instância copresidida pelo Brasil e pela Espanha — em formato híbrido.
Encontro com o Papa Leão XIV: simbolismo diplomático
Nesta segunda (13), além das atividades na FAO, Lula será recebido em audiência no Vaticano pelo Papa Leão XIV, em um encontro marcado como o primeiro entre os dois.
Esse encontro carrega forte simbolismo diplomático, especialmente num momento em que o combate à pobreza e à fome é tema central da agenda internacional. O papa Leão XIV assumiu o pontificado em maio de 2025.
Um passo importante, mas não decisivo
A chegada do presidente brasileiro a Roma reforça a busca por protagonismo nas discussões globais sobre segurança alimentar e desenvolvimento. Ser orador principal do fórum confere visibilidade, mas o sucesso dependerá da correspondência entre discurso e ações concretas.
A saída do Brasil do Mapa da Fome é, sim, um resultado técnico relevante. Porém, o verdadeiro teste será mostrar, nos próximos anos, que essa conquista representa melhorias reais e duradouras no cotidiano de milhões — evitando retrocessos.




