O uso de tecnologia na fiscalização urbana produz efeitos concretos em Fortaleza. Apenas nos primeiros meses de 2026, a Prefeitura de Fortaleza já registrou 685 autos de infração por descarte irregular de resíduos sólidos com base em flagrantes do videomonitoramento — número que já supera todo o volume de 2025, quando foram contabilizados 673 casos. Os dados são da Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis).
A evolução é ainda mais evidente quando comparada a 2024, ano em que apenas 91 autuações foram registradas nesse formato. O salto indica uma mudança de escala na capacidade de fiscalização, impulsionada por investimentos em tecnologia e pela atuação mais integrada entre órgãos municipais.
No centro dessa estratégia está o recém-inaugurado Centro Integrado de Videomonitoramento de Fortaleza (CIVFor), que reúne mais de 7 mil câmeras espalhadas pela cidade. Com apoio de inteligência artificial, o sistema permite identificar infrações em tempo real e acelerar a responsabilização, mesmo sem a presença física de agentes no momento do descarte.
A tecnologia também ampliou o alcance da fiscalização. Além das câmeras fixas, o uso de drones tem reforçado o monitoramento em áreas de difícil acesso e pontos críticos, contribuindo para a produção de provas e a formalização dos autos.
Esse avanço ocorre em paralelo à Operação Capital Limpa e Ordenada, que intensificou ações conjuntas de fiscalização, limpeza urbana e educação ambiental desde março. A iniciativa combina presença em campo com monitoramento remoto, numa tentativa de enfrentar um problema histórico da cidade: a formação recorrente de pontos de lixo.
Pela legislação municipal, o descarte irregular é classificado como infração grave, com multas que variam de R$ 202,50 a R$ 32,4 mil, podendo ultrapassar R$ 100 mil em casos de agravantes, como reincidência ou dano ambiental. A notificação é enviada ao responsável com base na identificação do veículo envolvido.
Embora o aumento das autuações reflita maior rigor na fiscalização, o desafio segue sendo estrutural. A efetividade das medidas depende não apenas da capacidade de punir, mas também da mudança de comportamento da população — um fator que ainda exige continuidade de ações educativas e oferta adequada de alternativas, como os ecopontos.




