O senador Eduardo Girão (Novo) oficializou, em Fortaleza, sua pré-candidatura ao Governo do Ceará para 2026, em um evento marcado por demonstrações de força da direita e por um clima de evidente divisão interna. A cerimônia reuniu lideranças nacionais do campo conservador, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o governador Romeu Zema (Novo) e o deputado André Fernandes (PL), presidente estadual do partido.
O tom religioso e político dominou o encontro, que também foi palco de pedidos de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e de manifestações pela libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso após condenação por tentativa de golpe.
Sem citar nomes, Girão voltou a defender a “coerência” como marca da candidatura, afirmando que pretende liderar um projeto “alinhado a valores conservadores”. O senador reforçou críticas aos governos federal e estadual, ambos comandados pelo PT, e defendeu unidade entre partidos da direita. “PL e Novo caminham juntos em Brasília. Aqui não pode ser diferente”, disse.
Críticas a Ciro e ‘puxão de orelha’ no PL
As maiores tensões vieram das falas sobre o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), apontado como possível nome da oposição em 2026. Mesmo sem atacar diretamente o ex-ministro, Girão ouviu aliados afirmarem que Ciro “não representa a direita”.
O episódio mais sensível envolveu Michelle Bolsonaro. Em discurso firme, a ex-primeira-dama criticou a aproximação do PL Ceará com Ciro, iniciativa conduzida por André Fernandes. “Fizeram uma aliança precipitada”, afirmou, citando declarações recentes do ex-governador contra Bolsonaro. A cobrança pública deixou Fernandes visivelmente desconfortável.
Pouco depois, o deputado convocou uma coletiva. Disse que a aproximação com Ciro teve aval do próprio Jair Bolsonaro e que havia um acordo para não comentar discussões internas. “Desde maio tratamos essa possibilidade com o presidente. O plano tinha orientação dele e do presidente do PL. Se há precipitação, é do próprio presidente Bolsonaro”, declarou.
A fala expôs divergências no grupo bolsonarista local, que tenta formar uma frente unificada para enfrentar o PT em 2026.

Oposição fragmentada e busca por liderança
Antes da tensão, Girão havia sido questionado sobre como dialogar com outras pré-candidaturas, incluindo Ciro e o ex-prefeito Roberto Cláudio (PDT). O senador disse que apoios serão bem-vindos, mas destacou que a cabeça da chapa deve ser liderada por conservadores.
“Temos exemplos de Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais. Aqui, a direita precisa conduzir esse trem”, declarou. Ele também afirmou que Ciro não se colocou oficialmente como pré-candidato: “Nomes estão postos. Ele nunca disse que é candidato.”
O evento contou ainda com a presença de Capitão Wagner (UB), Plínio Valério (PSDB), Priscila Costa (PL) e do desembargador aposentado Sebastião Coelho, que também dirigiu críticas ao ex-ministro.
Cenário para 2026
A pré-candidatura de Girão tende a reforçar o movimento de reorganização da oposição no Ceará. Ainda sem consenso interno, o grupo tenta definir qual projeto terá maior potencial para enfrentar o atual campo governista, que mantém forte presença no estado há quase duas décadas.
Com a presença de figuras nacionais, o lançamento marcou o início de uma disputa que promete ser intensa, não apenas contra o governo estadual, mas dentro da própria oposição.




