Governo lança pacote de R$ 30 bi para conter impacto do tarifaço dos EUA

Plano Brasil Soberano prevê crédito, incentivos fiscais e compras governamentais para preservar empregos e exportações.

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Foto: José Cruz / Agência Brasil

O governo federal anunciou, nesta quarta-feira (13), o Plano Brasil Soberano, um pacote emergencial para amparar empresas brasileiras atingidas pela sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos a diversos produtos nacionais. As medidas estão previstas em medida provisória com vigência imediata e incluem uma linha de crédito de até R$ 30 bilhões, diferimento de tributos, ampliação de programas de ressarcimento e reforço em garantias à exportação.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o pacote é uma primeira resposta à medida norte-americana, que atinge setores como carnes, café, soja e algodão. O governo pretende priorizar empresas mais impactadas e de menor porte. Pequenas e médias poderão recorrer a fundos garantidores, que receberão aportes superiores a R$ 4,5 bilhões. O Reintegra — programa que devolve parte dos tributos a exportadores — terá alíquota ampliada até 2026, e o prazo do regime de drawback foi prorrogado por um ano.

“É uma leva de proposições que vão atenuar esse impacto inicial. Vamos ficar monitorando nossas exportações e o comportamento do mercado”, disse Haddad.

O plano também prevê que União, estados e municípios comprem, por 180 dias, parte dos produtos afetados, especialmente perecíveis, e condiciona o acesso ao crédito à manutenção de empregos, com regras a serem detalhadas.

“É um conjunto de medidas procurando atender o setor produtivo para garantir emprego, produção e abertura de mercado”, pontuou o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin.

Na frente diplomática, o Executivo manterá negociações com Washington e buscará novos mercados, além de acionar mecanismos da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A sobretaxa, decretada por Donald Trump em julho, excluiu apenas alguns itens como aeronaves, derivados de petróleo e castanha-do-pará, e foi justificada pelo governo norte-americano com argumentos de cunho político. Desde então, o Brasil tem intensificado reuniões com empresários para calibrar a resposta e minimizar impactos sobre produção e empregos.

Segue a tabela com os principais itens do Plano Brasil Soberano conforme anunciado:

Eixo / Medida Descrição Valor / Condições Prazo / Observações
Linha de crédito para exportadores Financiamento prioritário para empresas afetadas, especialmente as de menor porte Até R$ 30 bilhões via FGE Taxas acessíveis; condicionado à manutenção de empregos
Fundos garantidores Acesso facilitado a crédito para pequenas e médias empresas FGCE: R$ 1,5 bi; FGI: R$ 2 bi; FGO: R$ 1 bi Recursos imediatos
Reintegra Ressarcimento de parte dos tributos sobre exportações Grandes/médias: até 3,1%; micro/pequenas: até 6% Até dez/2026; impacto estimado de R$ 5 bi
Drawback Prorrogação do prazo para exportar mercadorias com insumos desonerados — Mais 1 ano para operações previstas até o fim de 2025
Diferimento de tributos federais Adiamento do pagamento de impostos federais — 2 meses
Compras governamentais União, estados e municípios podem comprar produtos afetados, especialmente perecíveis — Até 180 dias
Modernização do FGE Cobertura de riscos e compartilhamento com setor privado R$ 30 bi do superávit do fundo Atende prioritariamente os afetados, mas vale para todo o setor exportador
Aportes em garantias à exportação Reforço no seguro para exportadores Inclui FGCE, FGI, FGO Operação imediata
Manutenção de empregos Condição para acesso ao crédito — Regras serão definidas posteriormente
Câmara Nacional de Acompanhamento do Emprego Monitorar nível de emprego e propor ações de preservação — Permanente
Abertura de novos mercados Atuação diplomática e na OMC — Contínuo
Negociações com EUA Contato institucional para tentar reverter o tarifaço — Em andamento