Grupo Comédia Cearense revive O Beijo no Asfalto 60 anos depois

Com trilha ao vivo de Ricardo Bacelar, espetáculo estreia dia 3 de maio e homenageia história da companhia.

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Foto: Divulgação

O palco se arma mais uma vez para um dos textos mais inquietos da dramaturgia brasileira. Neste sábado (3), O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, estreia nova montagem em Fortaleza pelas mãos do Comédia Cearense — esse grupo que há 68 anos sustenta a cena local com a força de quem entende o teatro como missão de vida. Fundado pelo saudoso Haroldo Serra, o grupo segue mais vivo do que nunca sob a direção do filho, Hiroldo Serra, que agora comanda a releitura de uma obra que atravessa gerações sem perder atualidade.

A peça, escrita em 1960 e tantas vezes revisitada — inclusive pelo cinema —, parte de um gesto simples e comovente: um homem beija outro, moribundo, em plena calçada. Daí em diante, o que era compaixão vira manchete, escândalo, julgamento. É Nelson Rodrigues em estado puro: moralismo, hipocrisia, desejo e tragédia cruzando-se como fios elétricos.

Mas há algo de especialmente inusitado nesta montagem. A trilha sonora, em vez de gravada, é executada ao vivo pelo pianista Ricardo Bacelar, artista de trajetória sólida e talento reconhecido. E o mais curioso: a música invade o palco em família. Manoela Bacelar, sua esposa, integra o elenco como a personagem Selminha — e há de se imaginar que essa casa respira arte até no café da manhã.

Manoela e Ricardo: Casal em cena – Foto: Denis Santana

O elenco reúne ainda nomes como Roberto Reial (Arandir), Luís Costa (Amado Ribeiro), Márcia Sucupira, Ildo Mota, Amenhotep Rodrigues, Natali Lima, Érica Cardoso, Paulo César Cândido e Rafael Xerez. Todos sob a batuta cuidadosa de Hiroldo Serra, que costura o passado e o presente do grupo em cena.

As apresentações acontecem aos sábados — dias 3, 10, 24 e 31 de maio — sempre às 20h, no Teatro Nadir Papi Saboya, em Fortaleza. Os ingressos estão à venda no Sympla.

E que bom ver que o teatro, ao contrário do que vivem anunciando, não morreu. Pelo menos não no Ceará, onde o Comédia Cearense segue provando, ano após ano, que tradição e renovação podem dividir o mesmo palco — e o mesmo fôlego.