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O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), afirmou nesta quarta-feira (9) que não há condições financeiras para a Prefeitura arcar com o pagamento retroativo solicitado por servidores municipais. A declaração foi feita durante entrevista no Paço Municipal, às vésperas dos 100 primeiros dias de sua gestão.
Evandro reconheceu a importância das categorias e disse compreender a reivindicação. Lembrou, no entanto, que a situação fiscal da administração impõe limites.
“Eu respeito a classe dos servidores. Sou servidor e sei o valor desse trabalho. Mas não posso comprometer o orçamento da cidade para atender a uma parte, por mais legítima que seja”, afirmou.
A proposta apresentada pela Prefeitura prevê reajuste de 4,83%, percentual que corresponde à inflação do ano passado. Inicialmente, o pagamento seria feito em duas parcelas — 2% em junho e 2,83% em dezembro. Diante da negativa dos servidores, a gestão reformulou a proposta, ofertando os 4,83% ainda no meio do ano, mas sem pagamento retroativo.
O impasse gira justamente em torno dessa diferença. Os sindicatos aceitaram o índice, mas insistem que o valor seja retroativo a janeiro. Evandro diz que esse custo extrapola a capacidade atual do município.
“Cada 1% representa quase R$ 30 milhões. Não posso agir com irresponsabilidade. O retroativo, hoje, é inviável. Eu não tenho como pagar”, explicou.
Segundo ele, mesmo o reajuste integral já representa um esforço orçamentário.
“Fui orientado pela equipe econômica que nem os 4,83% seriam viáveis. Mas, mesmo assim, estamos propondo porque entendemos o pleito e queremos chegar a um ponto de equilíbrio.”
Os sindicatos, por sua vez, mantêm a mobilização. No dia 1º de abril, representantes de várias categorias fizeram um ato em frente ao Paço Municipal. O objetivo era pressionar a gestão a incluir o pagamento retroativo na proposta. A possibilidade de paralisações ou greve não está descartada.
Em nota divulgada após o protesto, a Prefeitura afirmou que antecipar os 2,83% da segunda parcela geraria impacto de cerca de R$ 50 milhões, o equivalente, segundo a gestão, à construção de um CUCA completo, 14 creches, 25 bases do CPRaio ou a drenagem de um bairro inteiro.
Evandro reforçou que segue aberto ao diálogo, mas dentro de parâmetros que garantam o equilíbrio fiscal. “A cidade precisa seguir funcionando. Educação, saúde, serviços básicos. Não posso prejudicar o todo para atender a uma parte. Continuo disposto a conversar, mas dentro do que é possível cumprir.”
A negociação segue em curso, sem consenso até o momento.
*Com informações do jornal O Povo.




