A chegada do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) ao Ceará foi o tema central do primeiro encontro do Lide Ceará em 2026, realizado na cobertura do Hotel Gran Marquise. Diante de cerca de 40 empresários, o reitor da instituição, Antônio Guilherme de Arruda Lorenzi, apresentou detalhes sobre a nova unidade que começará a operar em Fortaleza a partir de abril.
Segundo o reitor, a implantação do campus fora de São José dos Campos representa um marco institucional. “É o maior ponto de inflexão da história do ITA”, afirmou, destacando que as atividades iniciais ocorrerão com dois cursos já selecionados por vestibular. “Faço questão de ressaltar que não teremos dois ITAs, serão dois campi da mesma instituição, e com a mesma qualidade. Se um for melhor que o outro, é ruim”, acrescentou.
Fundado em 1950 pelo marechal cearense Casimiro Montenegro Filho, o ITA consolidou-se como uma das principais escolas de engenharia do país, responsável por formar especialistas em áreas de alta complexidade. A instituição soma quase 15 mil profissionais formados e milhares de artigos científicos produzidos ao longo de sua história. Foi também no ambiente acadêmico do ITA que surgiu a ideia que daria origem à Embraer, hoje uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo.
O encontro reuniu ainda ex-alunos e especialistas ligados à trajetória do instituto. O professor cearense Ângelo Mont’Alverne, que também foi reitor do ITA e é consultor no Banco Central do Brasil – participou da criação do PIX –, destacou as mudanças no perfil do trabalho diante da tecnologia. “Até há bem pouco tempo, o trabalho era braçal. Hoje, as máquinas fazem grande parte das tarefas repetitivas”, observou.
Na abertura do evento, o presidente da Organização Farias Brito, Thales Sá Cavalcante, mencionou os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho e citou uma reflexão atribuída a Bill Gates: “O homem só fará o que a máquina não puder fazer”.
Também participou do encontro a diretora executiva do ITA Endowment, Natália Braga, que explicou o funcionamento do fundo patrimonial criado por ex-alunos para apoiar bolsas, pesquisa e inovação no instituto. Segundo ela, a iniciativa busca ampliar a participação da sociedade civil no financiamento de projetos acadêmicos e no fortalecimento da formação de engenheiros no país, já que os recursos público são limitados. “É uma forma de garantir que esse trabalho de excelência do ITA vai continuar formando gerações. É o nosso compromisso”, afirmou.
A presidente do Lide Ceará, Emília Buarque, ressaltou que a presença do ITA no estado abre novas perspectivas para a formação tecnológica. “Temos um ITA para chamar de nosso, mas esse projeto precisa caminhar junto com o setor produtivo”, afirmou.




