
A decisão do TRE-CE de mandar retirar publicações ofensivas contra Romeu Aldigueri pode parecer, à primeira vista, apenas mais uma disputa judicial envolvendo política. Mas dificilmente ficará restrita a isso.
Porque, no fundo, a discussão não é sobre Aldigueri.
Ou melhor, não é só sobre ele.
Quando o presidente da Assembleia Legislativa vira alvo desse tipo de ataque, a questão passa a ser outra. Se isso acontece com alguém com visibilidade, assessoria jurídica e acesso rápido à Justiça, o que sobra para a raia miúda?
A decisão do desembargador Emanuel Leite Albuquerque reconhece que houve propaganda antecipada negativa e determina a retirada do conteúdo. É um caso específico, claro. Mas acontece num momento em que as eleições de 2026 começam a aparecer no horizonte e as redes sociais já funcionam como um campo permanente de disputa política.
Não há nada de errado nisso.
Aliás, a ampliação do debate político pelas redes sociais foi uma das mudanças mais importantes da democracia brasileira nos últimos anos.
O problema aparece quando a discussão deixa de ser discussão. Quando o objetivo já não é convencer ninguém, mas apenas desgastar, atacar ou espalhar versões fabricadas para produzir reação imediata.
E esse problema tende a crescer.
Não apenas por causa da polarização, que já conhecemos bem, mas porque agora existe um componente novo nessa equação: a Inteligência Artificial.
O episódio envolvendo conteúdos produzidos sem identificação adequada do uso dessa tecnologia chama atenção justamente por isso. O alcance é maior, a velocidade é maior e a capacidade de confundir também.
Por essa razão, o que está em jogo não parece ser apenas a punição de um caso isolado. Existe uma expectativa sobre como a Justiça Eleitoral vai reagir daqui para frente.
E isso importa porque a campanha de 2026 será travada principalmente no celular das pessoas.
Muito antes de comícios, debates ou programas eleitorais, a disputa por atenção, narrativa e influência já estará acontecendo nas telas.
Decisões como essa acabam servindo como um sinal. Não resolvem o problema sozinhas, mas ajudam a definir quais serão os limites do jogo.
Porque a eleição pode ser dura. Pode ser acirrada. Faz parte da democracia.
O que não pode virar regra é a substituição do debate político por operações de difamação travestidas de liberdade de expressão.




