Lô Borges partiu neste domingo (2), em Belo Horizonte, deixando o Brasil mais silencioso. Aos 73 anos, o cantor e compositor mineiro encerrou uma trajetória marcada pela delicadeza e pela ousadia criativa que moldaram a MPB desde os tempos do Clube da Esquina. Ao lado de Milton Nascimento, Beto Guedes e tantos outros, deu forma a uma geração que acreditava que a música podia traduzir a alma coletiva de um país.
Reservado e intenso, Lô parecia habitar um universo próprio, onde melodia e poesia se encontravam sem esforço. Seu “disco do tênis”, de 1972, segue como um manifesto da juventude e da liberdade — um sopro de eternidade embalado em canções como O Trem Azul e Paisagem da Janela.
Mesmo longe dos holofotes, seguiu compondo, fiel à própria essência. Nos últimos anos, lançou uma série de álbuns que reafirmavam sua inquietude e vitalidade criadora, culminando em Céu de Giz, de 2025. Morreu como viveu: em silêncio, mas deixando ecos que continuarão a ressoar nas janelas e trens de muitas gerações.




