Foto: Ricardo Stuckert/PR
Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência temporária do Mercosul e anunciou uma agenda externa ambiciosa para o bloco, visando à ampliação de mercados para exportação dos produtos locais. Durante a 62ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, o presidente reafirmou sua posição contrária ao acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia (UE), classificando-o como inaceitável. Ele está comprometido com a conclusão de um tratado equilibrado que assegure espaço para adoção de políticas públicas em prol da integração produtiva e da reindustrialização.
“Não temos interesse em acordos que nos condenem ao eterno papel de exportadores de matéria-primas, minérios e petróleo. Precisamos de políticas que contemplem uma integração regional profunda, baseada no trabalho qualificado e na produção de ciência, tecnologia e inovação. Isso requer mais integração, a articulação de processos produtivos e na interconexão energética, viária e de comunicações”, disse o presidente.
Lula destacou a necessidade de uma integração regional profunda, baseada no trabalho qualificado e na produção de ciência, tecnologia e inovação. Ele ressaltou a importância de políticas que promovam a integração e a articulação de processos produtivos, assim como a interconexão energética, viária e de comunicações. O presidente defendeu alterações em pontos do acordo de livre comércio sobre compras governamentais, alegando que poderiam prejudicar pequenas e médias empresas do país.
Além disso, Lula expressou o desejo de revisar e avançar nos acordos em negociação com Canadá, Coreia do Sul e Singapura, e explorar novas frentes de negociação com parceiros como China, Indonésia, Vietnã, América Central e Caribe. Ele ressaltou a importância de combater o protecionismo e de resgatar o protagonismo do Mercosul na Organização Mundial do Comércio (OMC).
“A proliferação de barreiras unilaterais ao comércio perpetua desigualdades e prejudica os países em desenvolvimento”, disse Lula.
Durante seu mandato como presidente do bloco, o Brasil buscará aperfeiçoar a Tarifa Externa Comum e evitar que barreiras não tarifárias prejudiquem o comércio. Lula defendeu o fortalecimento do Mercosul, a valorização do comércio de produtos com maior valor agregado e a conclusão de acordos comerciais nas áreas automotiva, açucareira e de serviços.
O presidente também mencionou a possibilidade de adotar uma moeda comum para operações de compensação entre os países do bloco, reduzindo custos. Ele destacou a importância de ampliar e aprimorar os acordos comerciais com Chile, Colômbia, Equador e Peru, e de trabalhar para a aprovação da Bolívia como membro pleno do Mercosul.
Lula pretende mobilizar recursos junto a bancos nacionais e organismos regionais para financiar projetos de infraestrutura física e digital. Ele propôs ao Congresso Nacional novos aportes ao Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) e ressaltou a importância do aprimoramento institucional do Mercosul, incluindo o revigoramento do Parlasul, do Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos, do Instituto Social e do Tribunal Permanente do Mercosul.
O Brasil assume a presidência temporária do Mercosul até o fim de 2023, com o compromisso de promover uma agenda cidadã, aumentar a transparência e incentivar a participação social. Lula enfatizou a importância de uma integração solidária e inclusiva, que beneficie diversos setores da sociedade.
“É preciso recuperar uma agenda cidadã e inclusiva, de face humana, que gere benefícios tangíveis para amplos setores de nossas sociedades. Nossa integração deve ser solidária e despertar o sentimento de pertencimento. Nossa integração também deve ser feminina, negra, indígena, camponesa e trabalhadora”, disse, citando que a contribuição brasileira com a sanção da lei de igualdade salarial entre homens e mulheres.
*Com informações da Agência Brasil




