Lula propõe a Trump o fim do tarifaço e convida americano para a COP30

Presidentes discutiram comércio, sanções e aproximação diplomática em meio às tensões entre Brasil e Estados Unidos.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por videoconferência na manhã desta segunda-feira (6), em uma tentativa de reaproximar os dois países após meses de tensão diplomática. Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, os líderes relembraram a “boa química” que tiveram durante o breve encontro na Assembleia Geral da ONU, há duas semanas, e acertaram um encontro presencial que poderá ocorrer na Malásia, durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), no dia 24 de outubro.

Na reunião virtual, Lula estava acompanhado dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores), e Geraldo Alckmin (vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além do chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. Segundo o Planalto, o presidente brasileiro classificou o contato como uma oportunidade para “restaurar as relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente”.

Durante o diálogo, Lula defendeu o fim das tarifas punitivas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, como máquinas, calçados e carnes, e pediu a suspensão das medidas restritivas aplicadas contra autoridades do país — entre elas o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, incluídos na lista de sanções da chamada Lei Magnitsky.

O Planalto também destacou que Trump designou o secretário de Estado, Marco Rubio, para dar continuidade às negociações com o vice-presidente Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro Haddad. Lula, por sua vez, convidou o presidente americano para participar da COP30, que será realizada em Belém (PA), e sinalizou disposição para visitar os Estados Unidos.

O encontro virtual ocorre em um contexto delicado das relações entre os dois países. Desde julho, o governo Trump tem condicionado um novo acordo comercial com o Brasil ao arquivamento do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal. O Planalto enxerga o diálogo como um passo importante para restabelecer a cooperação e reforçar a soberania brasileira diante de imposições unilaterais.

A expectativa em Brasília é de que a conversa abra caminho para um entendimento capaz de reverter o tarifaço, que tem afetado setores estratégicos da economia nacional. Embora sem resultados concretos imediatos, o tom cordial da reunião é visto como um sinal de distensão — e a possível reunião na Malásia pode marcar o início de uma nova fase nas relações entre Brasil e Estados Unidos.