Mauro critica “gasto sem freio” com dívida pública: “Brasil pode falir em cinco anos”

O deputado cearense desafia os colegas parlamentares a fixar regras, impondo um limite para o pagamento das despesas financeiras: "Precisa ter a coragem de encarar o sistema financeiro, principal beneficiado com esta situação".

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Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O deputado federal Mauro Benevides Filho (PDT-CE) fez um discurso contundente no plenário da Câmara, para alertar sobre o que considera o verdadeiro vilão da crise fiscal brasileira: o crescimento acelerado das despesas financeiras da União, especialmente com o pagamento de juros da dívida pública.

De forma direta, o parlamentar desafiou os colegas que acusam o governo de estar gastando demais.

“Eu desafio: qual é o parlamentar que tem a informação de que a despesa primária subiu de 2023 para 2024? Essa informação é falsa, é mentirosa, ela não existe”, afirmou, destacando que o dado mais recente aponta queda desse tipo de gasto em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). “A despesa primária sob o PIB em 2023 era 19,6%. Em 2024 caiu para 18,6%.”

Segundo Mauro, o foco nas despesas primárias — como saúde, educação e investimentos — desvia o debate daquilo que realmente desequilibra as contas públicas: os gastos com a dívida pública, que neste ano já ultrapassam R$ 1 trilhão.

“O pessoal quer focar na despesa primária, que o governo está gastando, para desviar… Atenção, hein? Para desviar o assunto da despesa financeira”, criticou.

De acordo com o deputado, metade do Orçamento da União, estimado em R$ 5,6 trilhões, é consumido por despesas financeiras, sem qualquer limite legal.

“Essa casa é frouxa para aprovar qualquer regra sobre despesa financeira”, disparou. Ele lembrou que já tentou por três vezes aprovar limites para esse tipo de gasto, mas os projetos foram rejeitados no Congresso. “Tem um interesse por trás. O sistema financeiro não deixa os deputados e senadores votarem.”

Mauro Benevides fez um alerta direto:

“O Brasil pode falir em cinco anos se continuar pagando R$ 1 trilhão de reais e ninguém dizer nada. Absolutamente nada.”

Para ele, é urgente que o Parlamento tenha coragem para enfrentar o setor que mais se beneficia do atual modelo.

“A crise fiscal que enfrentamos atualmente está sendo causada pelo fato de boa parte dos recursos do Orçamento da União serem destinados, sem controle nenhum, ao pagamento dos juros da dívida pública”, disse. E concluiu: “O Congresso Nacional precisa ter a coragem de encarar o sistema financeiro, principal beneficiado com esta situação, e fixar regras, impondo um limite para o pagamento das despesas financeiras.”