Nos 300 anos de Fortaleza, cresce o movimento de reconexão com a própria memória urbana — e ele passa, cada vez mais, por iniciativas que nascem fora do poder público. É o caso do pedido de tombamento do prédio do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Ceará (Senge-CE), na Praia de Iracema, que pode ganhar status de patrimônio histórico ainda este ano.
Construída em 1925, a edificação atravessa diferentes fases da cidade. Surgiu como casa de veraneio em um tempo em que a região era chamada de Praia do Peixe, reduto da elite local. Hoje, permanece como um raro exemplar da arquitetura eclética do início do século XX, preservando traços que ajudam a contar a transformação urbana da Capital.
O processo, conduzido pelo arquiteto Romeu Duarte, da UFC, atende a um pedido da presidente do sindicato, Teodora Ximenes, que resume bem o sentido da iniciativa: “resguardar a história viva da cidade”. Mais do que um ato simbólico, trata-se de reconhecer que o passado ainda está de pé — e precisa ser protegido.
Num momento em que Fortaleza celebra sua trajetória, a proposta aponta um caminho importante: o de que preservar não é apenas tarefa institucional, mas também um compromisso coletivo. Se avançar, o caso do Senge-CE pode servir de estímulo para que outros imóveis com valor histórico não se percam no tempo — nem na pressa do presente.




