O posicionamento público de Michelle Bolsonaro após o evento de lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Ceará, no último domingo (30), expôs uma das crises mais abertas dentro do bolsonarismo em 2025. Em texto divulgado nas redes sociais, a ex-primeira-dama rebateu críticas dos enteados — os filhos de Jair Bolsonaro — e justificou por que discordou publicamente da aproximação de setores da direita com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB).
“Eu respeito a opinião dos meus enteados, mas penso diferente e tenho o direito de expressar meus pensamentos com liberdade e sinceridade”, afirmou Michelle logo no início da nota. Segundo ela, sua fala no Ceará não teve motivação eleitoral, mas pessoal e familiar.
A ex-primeira-dama insistiu que sua crítica à eventual composição com Ciro Gomes foi motivada pela coerência com valores que considera essenciais para o campo conservador. “Não basta derrotar o PT e a esquerda; é preciso fazê-lo mantendo-nos fiéis aos nossos valores”, escreveu. Ela afirmou ainda que não poderia apoiar um acordo com alguém que, na sua avaliação, teria “feito mal ao pai da minha filha”.
O episódio ganhou repercussão nacional porque, após sua fala no palco do evento de Girão, os filhos de Jair Bolsonaro reagiram publicamente, interpretando sua manifestação como um gesto político que poderia atrapalhar articulações internas da direita para 2026.
Michelle, porém, rebateu: “Como eu olharia nos olhos da minha filha quando ela um dia me questionasse por que eu teria apoiado — ou não falei nada quando pessoas do meu partido apoiaram — o homem que tanto mal fez ao pai dela?”
No texto, ela reforçou que sua crítica não tem relação com disputa de protagonismo dentro do bolsonarismo, mas sim com a defesa do marido. “Meu marido tem um coração bom (bom até demais!) e, por isso, tenho o dever de defendê-lo”, disse. “No episódio de Fortaleza, eu fui apenas uma esposa defendendo o seu marido e a sua família de um homem que sempre nos atacou.”
Ao citar Ciro Gomes, Michelle foi direta: “Ciro Gomes não é e nunca será de direita. Nunca defenderá os nossos valores. Sempre será um perseguidor e um maledicente contra Bolsonaro.”
Apesar da contundência, ela tentou afastar a ideia de ruptura com o restante da família Bolsonaro: “Aqueles que defendem essa aliança são livres para continuar com ela, mas não deveriam me criticar por não aceitá-la. Eu tenho o direito de não aceitar isso, ainda que essa fosse a vontade do Jair.”
O caso abriu um novo capítulo na disputa silenciosa pelo comando político do bolsonarismo em um momento em que aliados de Jair Bolsonaro buscam reorganizar o campo conservador em direção às eleições de 2026.
Leia, abaixo, a íntegra da mensagem de Michele:
Eu respeito a opinião dos meus enteados, mas penso diferente e tenho o direito de expressar meus pensamentos com liberdade e sinceridade. Antes de ser uma líder política, eu sou mulher, sou mãe, sou esposa e, se tiver que escolher entre ser política, mãe ou esposa, ficarei com as duas últimas opções. Como eu olharia nos olhos da minha filha quando ela um dia me questionasse por que eu teria apoiado (ou não falei nada quando pessoas do meu partido apoiaram) o homem que tanto mal fez ao pai dela?
Desculpem-me; não sou assim! Acredito em uma política diferente. Não basta derrotar o PT e a esquerda; é preciso fazê-lo mantendo-nos fieis aos nossos valores e agirmos de maneira coerente com eles. Foi por isso, e apenas por isso, que me manifestei no Ceará. Não podia ficar calada diante desses acontecimentos. Meu marido tem um coração bom (bom até demais!) e, por isso, tenho o dever de defendê-lo e de me manifestar contra situações que eu sei, serão prejudiciais a ele.
Ciro Gomes não é e nunca será de direita. Nunca defenderá os nossos valores. Sempre será um perseguidor e um maledicente contra Bolsonaro. No evento, vi nos olhos do povo que ama Bolsonaro, o mesmo desconforto e insatisfação que eu sinto. Penso que derrotar o PT dessa forma, seria o mesmo que trocar Joseph Stalin por Vladimir Lenin. Aqueles que defendem essa aliança, são livres para continuar com ela, mas não deveriam me criticar por não aceitá-la.
Eu tenho o direito de não aceitar isso, ainda que essa fosse a vontade do Jair (ele não me falou se é). Muitas vezes, somos nós, esposas, que somos chamadas a mostrar aos nossos maridos que eles podem estar errando. Isso é normal em qualquer casamento e um precisa ajudar o outro. No episódio de Fortaleza, eu fui apenas uma esposa defendendo o seu marido e a sua família de um homem que sempre nos atacou.




