A discussão sobre como a tecnologia, a automação e a inteligência artificial vão remodelar o mercado de trabalho ganhou espaço físico em Museu da Indústria do Ceará, em Fortaleza. O equipamento cultural abriu ao público a exposição itinerante “O Futuro das Profissões”, iniciativa nacional do Serviço Social da Indústria (SESI), que já passou por Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, somando mais de 170 mil visitantes.
Com linguagem visual, jogos e recursos audiovisuais, a mostra propõe menos respostas prontas e mais perguntas sobre qualificação, adaptação e aprendizado contínuo. A ideia é deslocar o foco da pergunta “quais empregos vão existir?” para “quais competências serão necessárias?”.
Durante a abertura, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Ricardo Cavalcante, destacou que o debate dialoga com o momento da indústria local.
“Mais do que perguntar quais profissões existirão no futuro, precisamos refletir sobre quais capacidades permitirão às pessoas aprender continuamente, se adaptar e construir trajetórias ao longo da vida”, afirmou Cavalcante.
A exposição foi desenvolvida pelo SESI Lab, museu de arte, ciência e tecnologia ligado ao Departamento Nacional do SESI, e organiza o conteúdo de forma não cronológica. Em vez de uma linha do tempo tradicional, o visitante transita entre passado, presente e projeções de futuro, numa metáfora para a instabilidade do mercado de trabalho atual.
O diretor-superintendente do SESI nacional, Paulo Mól, associou o tema à expansão da rede educacional da instituição no estado.
“Não se pode ter medo da tecnologia. Ela faz parte da vida. O importante é entender suas habilidades e como se manter empregável”, disse. Segundo ele, o Ceará saiu de 900 para 8 mil alunos nas escolas do SESI nos últimos anos, com previsão de alcançar 13 mil matrículas.
A programação inclui atividades educativas. Estudantes do ensino médio participaram da dinâmica “Cápsula do Tempo”, registrando expectativas profissionais e pessoais para os próximos anos. Os relatos serão reabertos em 2031, como exercício de comparação entre planos e realidade.
Para o gestor do museu, Luis Carlos Sabadia, a proposta é mostrar que “os processos de formação e profissionalização deixaram de ser lineares”.
“Você fala de presente, passado e futuro ao mesmo tempo para que as pessoas entendam que o mundo do trabalho mudou”, explicou Sabadia.
Na abertura, alunos do 3º ano da rede SESI visitaram a mostra e participaram da dinâmica ‘Cápsula do Tempo’, registrando planos pessoais e profissionais para os próximos anos. Segundo a coordenadora pedagógica Patrícia Xavier, a atividade dialoga com o momento de decisão dos jovens. Os relatos serão reabertos em 2031. Para o estudante Lucas Ferreira, 17, a experiência ajuda a entender que ‘a tecnologia vai mudar muita coisa’, e ele já projeta atuar em agronomia com foco em inovação.

Ao colocar jovens diante de simulações, quizzes e narrativas imersivas, a mostra aposta na experimentação como ferramenta de orientação vocacional. O visitante sai com mais perguntas do que certezas — o que, no cenário de rápidas transformações tecnológicas, pode ser justamente o ponto de partida.




