Museu da Indústria abre mostra sobre carreiras do futuro

Experiência imersiva convida jovens a repensar escolhas profissionais.

Compartilhar

Facebook
Twitter
WhatsApp

A discussão sobre como a tecnologia, a automação e a inteligência artificial vão remodelar o mercado de trabalho ganhou espaço físico em Museu da Indústria do Ceará, em Fortaleza. O equipamento cultural abriu ao público a exposição itinerante “O Futuro das Profissões”, iniciativa nacional do Serviço Social da Indústria (SESI), que já passou por Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, somando mais de 170 mil visitantes.

Com linguagem visual, jogos e recursos audiovisuais, a mostra propõe menos respostas prontas e mais perguntas sobre qualificação, adaptação e aprendizado contínuo. A ideia é deslocar o foco da pergunta “quais empregos vão existir?” para “quais competências serão necessárias?”.

Durante a abertura, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Ricardo Cavalcante, destacou que o debate dialoga com o momento da indústria local.

“Mais do que perguntar quais profissões existirão no futuro, precisamos refletir sobre quais capacidades permitirão às pessoas aprender continuamente, se adaptar e construir trajetórias ao longo da vida”, afirmou Cavalcante.

A exposição foi desenvolvida pelo SESI Lab, museu de arte, ciência e tecnologia ligado ao Departamento Nacional do SESI, e organiza o conteúdo de forma não cronológica. Em vez de uma linha do tempo tradicional, o visitante transita entre passado, presente e projeções de futuro, numa metáfora para a instabilidade do mercado de trabalho atual.

O diretor-superintendente do SESI nacional, Paulo Mól, associou o tema à expansão da rede educacional da instituição no estado.

“Não se pode ter medo da tecnologia. Ela faz parte da vida. O importante é entender suas habilidades e como se manter empregável”, disse. Segundo ele, o Ceará saiu de 900 para 8 mil alunos nas escolas do SESI nos últimos anos, com previsão de alcançar 13 mil matrículas.

A programação inclui atividades educativas. Estudantes do ensino médio participaram da dinâmica “Cápsula do Tempo”, registrando expectativas profissionais e pessoais para os próximos anos. Os relatos serão reabertos em 2031, como exercício de comparação entre planos e realidade.

Para o gestor do museu, Luis Carlos Sabadia, a proposta é mostrar que “os processos de formação e profissionalização deixaram de ser lineares”.

“Você fala de presente, passado e futuro ao mesmo tempo para que as pessoas entendam que o mundo do trabalho mudou”, explicou Sabadia.

Na abertura, alunos do 3º ano da rede SESI visitaram a mostra e participaram da dinâmica ‘Cápsula do Tempo’, registrando planos pessoais e profissionais para os próximos anos. Segundo a coordenadora pedagógica Patrícia Xavier, a atividade dialoga com o momento de decisão dos jovens. Os relatos serão reabertos em 2031. Para o estudante Lucas Ferreira, 17, a experiência ajuda a entender que ‘a tecnologia vai mudar muita coisa’, e ele já projeta atuar em agronomia com foco em inovação.

Alunos do 3º ano do Ensino Médio da Escola SESI de Referência Roberto Proença de Macêdo visitaram os espaços da exposição e participar de uma dinâmica intitulada “Cápsula do Tempo
Alunos visitaram a exposição e participar da dinâmica intitulada “Cápsula do Tempo.

Ao colocar jovens diante de simulações, quizzes e narrativas imersivas, a mostra aposta na experimentação como ferramenta de orientação vocacional. O visitante sai com mais perguntas do que certezas — o que, no cenário de rápidas transformações tecnológicas, pode ser justamente o ponto de partida.