Nem todo bilionário deixa herança: famosos que querem filhos independentes

De Ronaldo Fenômeno a Zuckerberg, cresce a lista de celebridades que preferem investir em causas sociais e estimular autonomia dos herdeiros.

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Quando se fala em herança, é comum imaginar que os filhos de celebridades e bilionários já nasceram com o futuro garantido. Mas algumas personalidades conhecidas, no Brasil e no mundo, decidiram remar contra essa expectativa. O raciocínio é simples: estimular a autonomia dos herdeiros e direcionar a fortuna para causas sociais.

Ronaldo Fenômeno, por exemplo, já disse que sua prioridade é a Fundação Fenômenos, dedicada a projetos sociais. O próprio filho mais velho, Ronald, confirmou em entrevista: “Meu pai brinca que não vai deixar nada para mim e meus irmãos. Eu acho legal saber que tenho que correr atrás do meu.”

No exterior, o ator Jackie Chan foi direto: “Se meu filho for capaz, ele pode ganhar o próprio dinheiro. Caso contrário, estarei desperdiçando o meu.” Ashton Kutcher e Mila Kunis, donos de uma fortuna bilionária, também já declararam que o patrimônio não vai para os filhos, mas para entidades de caridade. O mesmo caminho é defendido por Mark Zuckerberg e Priscilla Chan, que prometeram doar 99% da riqueza acumulada com a Meta.

No Brasil, Gretchen costuma brincar que “vai gastar tudo antes de morrer”, enquanto o jornalista Roberto Cabrini deixou claro que não pretende preparar um testamento recheado para os filhos.

O que a lei brasileira permite

Mas a pergunta é inevitável: no Brasil, é possível simplesmente cortar os filhos da herança? A resposta é não. A advogada Maria Clara Mapurunga, especialista em Direito de Família e Sucessões, explica: “A lei protege os chamados herdeiros necessários, como filhos, cônjuges e pais. Metade do patrimônio deve obrigatoriamente ir para eles.”

Essa parcela é chamada de legítima. A outra metade pode, sim, ser direcionada livremente — para instituições, amigos ou outras pessoas.

Estratégias possíveis

Segundo Mapurunga, existem formas de conciliar desejo pessoal e obrigação legal:

  • Holdings familiares para organizar o patrimônio como uma empresa;

  • Doações em vida com cláusulas restritivas, que impedem a venda ou penhora dos bens;

  • Testamentos personalizados, que podem até trazer incentivos ou condições para os herdeiros.

Mais que uma polêmica

A discussão vai além da polêmica sobre herança. Para muitos, trata-se de educação financeira e preparação para o futuro.

“É legítimo querer que os filhos aprendam a conquistar seu próprio espaço. Mas isso deve ser feito com orientação jurídica adequada, para evitar ilegalidades ou disputas judiciais”, afirma a especialista.

Em tempos de fortunas cada vez maiores e famílias mais complexas, o planejamento sucessório deixa de ser um luxo de celebridades e passa a ser um tema que interessa a qualquer família.

*Fotos: Divulgação