A homenagem concedida pela Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ) ao presidente da Cagece, Neuri Freitas, carrega um significado que vai além do registro institucional. Como membro efetivo da Casa, assino — ao lado dos confrades — a indicação proposta por Arnaldo Santos, não apenas como gesto formal, mas como reconhecimento refletido.
Ao receber o título de Cearense do Ano 2026, no Palácio da Luz, Neuri adotou um tom que dialoga com a própria essência do Ceará. Ao evocar Rachel de Queiroz e O Quinze, trouxe à cena a ideia de resistência que atravessa gerações. Não foi apenas uma referência literária, mas uma síntese do contexto em que sua gestão se desenvolveu.
Ao longo de sua fala, o presidente relembrou períodos desafiadores — a longa estiagem, a pandemia de Covid-19 e as exigências do Marco Legal do Saneamento — sem recorrer a grandiloquência. Preferiu dividir o reconhecimento com a equipe e destacar o caráter coletivo de uma missão que, muitas vezes, só é percebida quando falha.
A observação feita pelo nosso presidente Reginaldo Vasconcelos, ao lembrar que Neuri não veio da engenharia, como a maioria de seus antecessores, reforça uma mudança de perspectiva na condução da companhia. Há, ali, um sinal de que o saneamento também se constrói com gestão, articulação e visão pública.
Para nós, da Academia, a homenagem não se limita a celebrar uma trajetória. Ela também ilumina a centralidade de um serviço essencial, presente em 152 municípios cearenses, e que impacta diretamente saúde, dignidade e desenvolvimento.
Ao final, fica a impressão de que, mais do que reconhecer um dirigente, a ACLJ registrou um tempo — com suas dificuldades, respostas e aprendizados — sob o olhar de quem viveu, de dentro, os desafios de fazer o básico funcionar.




