A Assembleia Legislativa do Ceará resolveu fazer justiça a um gênero que nunca precisou de convite para entrar na festa — nem de licença para falar de amor, abandono e saudade. A música brega – popularizada por artistas como Waldick Soriano, Nelson Gonçalves, Reginaldo Rossi, Bartô Galeno, Odair José e o nosso Bregastar Falcão, entre outros fenômenos da MPB – foi reconhecida, por aclamação, como de destacada relevância histórica e cultural para o Estado.
A proposta do deputado Júlio César Filho (PT) segue agora para sanção do governador Elmano de Freitas. Mais do que um reconhecimento oficial, é uma reverência a uma música popular de verdade, daquelas que dispensam cerimônia e chegam diretamente ao coração.
A lei também lembra o Dia Nacional do Brega, celebrado em 14 de fevereiro, data de nascimento de Reginaldo Rossi. Difícil imaginar homenagem mais apropriada: o Dia dos Namorados (Valentine‘s Day) em boa parte do mundo é, no Brasil, a data de um artista especializado justamente nos amores que deram errado.
Reginaldo Rossi, afinal, não cantava apenas sofrência. Cantava histórias. Do Garçom ao sujeito abandonado na mesa de um bar, deu voz a quem amou demais — e quase sempre recebeu de menos.
A Alece fez bonito. Porque cultura também é aquilo que o povo canta de olhos fechados, copo na mão e uma lembrança apertando o peito.




