O homem que lembra tudo

Sander Sans transforma sua hipermnésia em livro que mistura ciência, sensações e autoconhecimento.

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“Lembrar tudo”. É assim que o pesquisador brasileiro Sander Sans descreve a hipermnésia — condição raríssima da memória autobiográfica, vivida por pouco mais de 80 pessoas no mundo. Ele seria a 81ª. Em seu novo livro, em pré-lançamento, Sander transforma a própria habilidade em objeto de estudo e narrativa, misturando ciência, literatura e filosofia.

Segundo ele, reviver lembranças não é apenas recordar fatos. É sentir novamente “o sabor de um alimento, o timbre de uma voz, o perfume de um dia específico”. Uma espécie de viagem sensorial ao passado. “A memória é um mapa. Quando voltamos a ela, reencontramos partes de nós mesmos que a vida adulta costuma esconder”, diz.

Mestrando na International American University, na Califórnia, Sander compartilha descobertas e provoca reflexões sobre o que guardamos — e por quê. Para o autor, mesmo quem não tem hipermnésia carrega “fragmentos dessa capacidade extraordinária”. E seu livro convida justamente a isso: revisitar lembranças como quem revisita a própria identidade.