O táxi, a criança e os caminhos da vida

Livro de Rhaina Ellery aborda abandono, amizade e relações familiares em cenário fortalezense.

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Com foco nas relações familiares, nos afetos e nas contradições humanas, a escritora cearense Rhaina Ellery lança nesta sexta-feira (12) seu segundo romance, “Nunca Gostei do Mar”, obra que transforma Fortaleza em cenário e personagem de uma narrativa marcada por encontros, perdas e recomeços.

O livro acompanha a trajetória de Zé, um taxista do bairro Pirambu, cuja rotina é alterada após uma criança ser esquecida em seu carro. A partir desse episódio, a autora constrói uma reflexão sobre pertencimento, abandono e os laços que se formam para além dos vínculos biológicos.

Mais do que pano de fundo, a capital cearense ocupa papel central na trama. Ruas, bairros, praias e transformações urbanas aparecem como elementos que ajudam a contar a história do protagonista, estabelecendo uma relação direta entre a cidade e os dilemas de seus personagens.

Depois de abordar a maternidade em seu romance de estreia, “Mas Não Guardo Rancor”, Rhaina agora volta seu olhar para a paternidade e para os papéis tradicionalmente atribuídos ao masculino e ao feminino. A própria autora resume o ponto de partida da obra ao afirmar que “a narrativa nasceu do desejo de escrever sobre abandono: de pessoas, de ilusões, do ideal de Fortaleza”.

O lançamento acontece na Artesano Casa e Galeria, na Aldeota, com sessão de autógrafos e bate-papo aberto ao público. Em tempos de leituras rápidas e fragmentadas, a chegada de um romance que dialoga com a memória afetiva da cidade reforça a vitalidade da produção literária cearense contemporânea.