Opinião: Na “trocação”, Elmano não recua diante de Ciro

Debate trouxe poucas novidades nas propostas, mas revelou um governador disposto a enfrentar o estilo incisivo do adversário.

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Paulo César Norões, publisher do Etc.

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Ceará, realizado neste domingo (9) pela Band, não trouxe grandes novidades no conteúdo. Nem Elmano de Freitas (PT), que busca a reeleição, nem Ciro Gomes (PSDB), principal nome da oposição — Pedro Brito (Novo), também convidado, não compareceu — apresentaram ideias muito diferentes daquelas já defendidas em entrevistas e discursos.

Os dois confrontaram diagnósticos sobre a situação do Estado, trocaram críticas às gestões atual e passadas e expuseram propostas para áreas como segurança pública, saúde, desenvolvimento social e economia.

Isso não significa, porém, que o debate possa ser desprezado. Ao contrário. Com os dois principais candidatos frente a frente e o formato de bate-rebate, ficou mais difícil escapar das questões levantadas — algo comum em encontros com muitos participantes, nos quais o excesso de vozes frequentemente dilui a discussão.

Quatro vezes candidato à Presidência da República, veterano em debates, já se sabia o que esperar de Ciro: um estilo incisivo, por vezes virulento, ainda mais quando ocupa o papel de opositor. A expectativa, portanto, estava em saber como Elmano se comportaria na “trocação”.

E ele não decepcionou. Enfrentou com firmeza as provocações do adversário e também partiu para o ataque em diferentes momentos. Não arregou, como se diz no universo das brigas de rua.

O resultado foi um embate contundente, marcado por disputa de narrativas, acusações e tentativas de desconstruir o discurso adversário. Houve momentos tensos e elevação do tom de voz, mas os dois evitaram ultrapassar certos limites — um mérito nestes tempos de grosseria quase institucionalizada.

Ao fim, talvez nenhum deles tenha conquistado muitos votos apenas com o que disse. Por outro lado, o eleitor também gosta de avaliar o candidato pela firmeza nos posicionamentos, na forma como ele se comporta no confronto direto. E, nesse sentido o primeiro debate foi um bom laboratório.

E tem mais, ambos produziram “cortes”suficientes para prolongar o confronto nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp, onde o nível costuma ser mais rasteiro, no melhor — ou pior — estilo “do pescoço para baixo é tudo canela”.

Enfim, o jogo está apenas começando.