Oposição ainda busca unidade enquanto Ciro avalia entrar na disputa estadual

Ex-ministro diz que decisão depende de “responsabilidade com o povo”. Já a relação política com o irmão Cid ele taxa como "inconciliável"

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O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) afirmou neste sábado (7), na Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, que a divergência política com o irmão, o senador Cid Gomes (PSB), chegou a um ponto “inconciliável”. Segundo ele, o impasse não é de ordem familiar, mas de projeto para o Estado. “Achamos que o Ceará precisa mudar e, infelizmente, o Cid está ajudando a manter o que está aí”, declarou.

Ciro voltou a criticar a direção estadual do Partido Socialista Brasileiro, citando a influência de Eudoro Santana, pai do ministro Camilo Santana. Ao comentar a permanência do irmão na sigla, limitou-se a dizer que a situação é “constrangedora”.

Questionado sobre 2026, descartou disputar a Presidência e reiterou visão crítica sobre a polarização nacional. Para ele, o debate econômico tem ficado em segundo plano, enquanto a dívida pública e a necessidade de ajustes exigiriam “sacrifícios conscientes” da sociedade.

No plano estadual, a candidatura ao Governo segue indefinida. Ciro afirmou viver um “conflito” entre o impulso de entrar na disputa e o desgaste com a política. Disse que só tomará decisão quando considerar que há “responsabilidade verdadeira” com o eleitor cearense. Sobre pesquisas, relativizou: “são retratos; a vida é filme”.

Ao tratar do senador Eduardo Girão (Novo), evitou confronto. Reconheceu a autonomia do parlamentar para manter candidatura própria e disse nutrir respeito pessoal. A oposição tenta se organizar contra o governador Elmano de Freitas(PT), mas ainda sem definição de chapa única.

Ciro também comentou conversa recente com dirigentes do União Brasil e do Progressistas, que compõem a federação União Progressista. Segundo ele, o diálogo foi “positivo” e manteve em aberto possíveis alianças no Ceará. O ex-prefeito Roberto Cláudio tem articulado a aproximação do bloco oposicionista.

O quadro, portanto, segue em movimento: oposição fragmentada, candidaturas em avaliação e alianças ainda por consolidar — cenário típico de pré-campanha, em que declarações pesam tanto quanto negociações de bastidores.