Ordem de Rio Branco consagra legado de Eunice Paiva

Filme, livro e prêmio já haviam eternizado a história de coragem da advogada e ativista.*

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Foto: ©Instituto Vladimir Herzog

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu, de forma póstuma, a Ordem de Rio Branco à advogada Eunice Paiva, símbolo da resistência à repressão durante a ditadura militar brasileira. O decreto foi publicado nesta quarta-feira (28) no Diário Oficial da União.

“Eunice Paiva representa uma trajetória marcada pela coragem e pelo compromisso com a liberdade”, declarou a Presidência da República. Viúva do ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido após ser levado por agentes do regime em 1971, Eunice passou décadas em busca de respostas sobre o paradeiro do marido — cujo corpo jamais foi encontrado. O Estado brasileiro só reconheceu oficialmente sua morte 25 anos depois.

A história de Eunice ganhou projeção internacional com o filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, no qual é interpretada pela atriz Fernanda Torres. O longa, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, é baseado no livro homônimo do escritor Marcelo Rubens Paiva, seu filho.

Além de lutar por memória, verdade e justiça, Eunice dedicou-se a causas sociais e à defesa dos povos originários. Em 2024, o governo federal criou o Prêmio Eunice Paiva de Defesa da Democracia, destinado a reconhecer pessoas que atuam pela preservação e fortalecimento do regime democrático no país.

Instituída em 1963, a Ordem de Rio Branco reconhece serviços relevantes prestados ao Brasil, distinguindo virtudes cívicas e méritos extraordinários. Eunice Paiva foi admitida no grau de Comendador — um gesto que eterniza seu legado de dignidade, resistência e compromisso com os direitos humanos.

*Com informações da Agência Brasil.