O Congresso Nacional avança na aprovação do projeto que amplia o Fundão Eleitoral e as emendas parlamentares em 2024, trazendo à tona vozes e debates intensos entre os representantes políticos em um ano crucial de eleições municipais.
O texto-base do Orçamento para o próximo ano, aprovado pela Comissão Mista de Orçamento, destaca-se pelo aumento substancial no Fundão Eleitoral, fixado em quase R$ 5 bilhões, quase o dobro do último pleito municipal.
“Agora, candidatos a prefeitos e vereadores terão acesso a recursos expressivos, mudando o cenário das campanhas locais”, afirma o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão de Ciência e Tecnologia do Senado.
Em meio a disputas entre Câmara e Senado, o projeto representa um novo recorde, destinando R$ 53 bilhões para emendas parlamentares em 2024. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) destaca:
“Os senhores tiraram R$ 17 bilhões do Executivo na mão grande”. Uma mudança que, para alguns, reforça o poder dos legisladores em seus redutos eleitorais.
O relator do Orçamento é o deputado Luiz Carlos Motta (PL-SP), alinhado aos interesses do partido do presidente Jair Bolsonaro e muito próximo do presidente da sigla, Valdemar da Costa Neto. O PL objetivo conquistar mais de 1.000 prefeituras no próximo ano, o que sinaliza a importância estratégica dessa verba para os planos políticos do partido.
Além disso, a expansão das emendas parlamentares gera controvérsias.
“Não temos a mínima condição de apoiar qualquer projeto com R$ 800 mil”, reclama o senador Carlos Viana, destacando as disparidades na distribuição entre comissões.
As emendas de comissão, antes de R$ 330 milhões em 2022, prevêem R$ 16,6 bilhões para 2024, representando uma mudança significativa na dinâmica das negociações políticas.
A preocupação cresce entre os aliados do presidente Lula, que veem nas medidas aprovadas uma redução significativa do poder nas negociações políticas.
“O governo deveria ter mandado no Orçamento essas emendas e não mandou. Então a comissão teve que decidir de onde ia tirar”, responde Motta, destacando as mudanças nas estratégias de repasse.
O cronograma para liberação de emendas impõe restrições ao governo, diminuindo sua margem de manobra em momentos decisivos no Congresso.
“É muito contraditório. O governo tem um foco. O Parlamento tem outros focos que, muitas vezes, têm que ser equilibrados”, declara o líder do governo na Comissão Mista de Orçamento, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), evidenciando a tensão entre os poderes.
Essas falas dos parlamentares, carregadas de preocupação e perspectivas diversas, destacam o papel crucial dessas medidas no reordenamento das relações entre Executivo e Legislativo, traçando um novo caminho político para o Brasil em 2024.
*Com informações da Agência Câmara e Folha de São Paulo