O relatório apresentado pelo senador Omar Aziz (na foto), do PSD-AM, colocou a proposta que acaba com a escala 6×1 novamente no centro do debate político e trabalhista.
O parecer mantém o texto aprovado pela Câmara dos Deputados, reduzindo a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial.
A decisão evita que a matéria retorne imediatamente à Câmara e permite sua votação na próxima quarta-feira (2), na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
A pressa tem explicação: o governo Lula pretende transformar a medida em uma das principais bandeiras sociais da campanha pela reeleição.
O calendário, porém, joga contra. O Congresso terá apenas mais uma semana de atividades antes das eleições de outubro, e ainda não há garantia de votação no plenário do Senado.
A oposição apresentou 14 emendas, com propostas para ampliar a transição, preservar a escala 12 por 36 e manter as atuais 44 horas, deixando eventuais reduções para negociações coletivas.
O avanço da PEC também revela uma mudança no ambiente político de Brasília. A pauta ganhou impulso após reunião de Lula com Hugo Motta e Davi Alcolumbre, presidentes da Câmara e do Senado.
Ao fim do encontro, o presidente brincou: “Juntos para sempre”. A frase, embora descontraída, expõe uma reaproximação construída sobre interesses políticos bastante concretos.
O governo precisa do Congresso para aprovar uma medida popular antes da eleição. Alcolumbre, por sua vez, busca condições para permanecer no comando do Senado em 2027.
Assim, uma proposta com impacto direto sobre milhões de trabalhadores avança cercada por cálculos eleitorais e disputas pelo controle do Legislativo.
O fim da escala 6×1 deixou de ser apenas uma discussão sobre jornada de trabalho. Virou também peça importante no tabuleiro de outubro.




