Fotos: Moisés Sabá e Doni Castilho
Depois de dois dias de concentração em Teresina, os motores finalmente roncaram e os competidores do Rally Piocerá partiram para a primeira etapa da competição. O trecho inicial, que levou pilotos e navegadores de Teresina a Pedro II, no Piauí, já deixou claro que esta edição será exigente. O percurso, marcado por atoleiros, balaios e condições de terreno imprevisíveis, testou a resistência e a estratégia dos participantes desde os primeiros quilômetros.
O trajeto, que somou 276 km totais, sendo 162 km de navegação intensa, não deu trégua. As fortes chuvas dos últimos dias transformaram trechos da trilha em verdadeiros desafios, principalmente para aqueles que já estavam acostumados às características do rali de regularidade. A lama exigiu precaução, e os balaios, conhecidos por confundir até os mais experientes, elevaram ainda mais o nível técnico da prova.
Adaptação rápida e ajustes na estratégia
Para o navegador cearense Matheus Milfont, que compete na categoria Carros, a etapa inicial já mostrou a que veio.
“Foi um percurso complicado, com muitos desafios. A parte do carnaubal foi a mais técnica, sinuosa e cheia de lama. Tivemos que reavaliar estratégias no meio do caminho para não perder tempo”, afirmou.
Joveliano Filho, piloto piauiense da modalidade Moto Enduro, também encontrou surpresas pelo trajeto.
“Houve um lajeiro bastante liso que exigiu atenção. Preferi descer da moto e atravessar devagar, mas ainda assim escorregava bastante”, relatou.

Rodrigo Ferreira, que estreia nos UTVs, teve uma impressão marcante do primeiro dia.
“Esse percurso me apresentou um dos desafios mais intensos que já encarei: serra, pedra, areia, lama e travessias de água. A navegação foi exigente do início ao fim”, destacou o piloto paraense.
Nos quadriciclos, Wescley Dutra precisou lidar com um fator inesperado: o sol intenso da tarde.
“A luminosidade atrapalhou a leitura dos aparelhos de navegação. Precisei improvisar para conseguir manter a precisão na pilotagem”, disse o cearense.

Rumo ao Ceará: a jornada continua
O Rally Piocerá segue agora para o Ceará, com a segunda etapa levando os competidores de Pedro II a Sobral. O trajeto de 262 km promete novos desafios, atravessando trechos de sertão e serras, mantendo a tensão alta para pilotos e navegadores.
De acordo com o CEO da Radical Produções, Ehrlich Cordão, a cidade de Sobral é tradicional no roteiro do evento e, tão embora ficou ausente em algumas edições, retorna agora em 2025.
“Sobral tem uma boa estrutura hoteleira e de alimentação, e um Centro Histórico maravilhoso. É sempre uma ótima opção para nós, na hora de levantar o roteiro”, disse Cordão.
Até sexta-feira (31), quando a competição chega a Beberibe, os participantes terão que lidar com condições variadas de terreno, estratégias ajustadas na marcha e a imprevisibilidade que faz do Piocerá um dos ralis mais tradicionais do Brasil.
O desafio está apenas começando, e a expectativa é de que as próximas etapas sigam elevando o nível de exigência e superação.




