A promessa de Flávio Bolsonaro (PL) de acabar com “entraves ambientais”, feita nesta segunda-feira (19), em Marabá, deixa uma pergunta: quais regras o candidato pretende mudar? Ao atribuir as restrições principalmente a razões ideológicas, o presidenciável apresentou uma justificativa política, mas não detalhou as medidas de um eventual governo.
No Pará, onde a relação entre terra e produção ocupa espaço central no debate público, Flávio também prometeu ampliar a regularização fundiária. Dar segurança ao proprietário, porém, exige clareza sobre os critérios de titulação e as responsabilidades que acompanham o uso da terra. A promessa de liberdade para produzir precisa vir acompanhada dessa explicação.
O discurso incluiu uma acusação a Lula (PT): a de que o presidente retaliaria os paraenses pela derrota de sua candidata ao governo estadual. Trata-se de uma alegação de campanha, sem demonstração no relato apresentado.
Há, ainda, um dado que desafia a divisão do eleitorado em blocos: o mesmo Pará que elegeu Dr. Daniel (Podemos), apoiado por Flávio, deu vantagem a Lula no primeiro turno. Na reta final, propostas concretas ajudam mais a esclarecer essa escolha do que previsões sobre vingança.




