O discurso improvisado do presidente da Assembleia Legislativa, Romeu Aldigueri, durante o anúncio do pacote de R$ 1,1 bilhão em financiamentos do Governo do Ceará e do BNDES, nesta terça (27), foi além da formalidade do evento. A fala chamou atenção pelo encadeamento lógico de dados, políticas públicas e indicadores fiscais, a ponto de ser elogiada não apenas pelo governador Elmano de Freitas, mas também pelo presidente do banco, Aloizio Mercadante, e por outras autoridades presentes.
Sem recorrer a adjetivações, Aldigueri optou por sustentar sua argumentação em números. Um deles, de forte impacto simbólico e social, foi o dado de que o Ceará passou a ter mais pessoas com carteira assinada do que beneficiários do Bolsa Família — marco inédito na história do Estado.
Ao tratar de endividamento controlado, capacidade de investimento e crescimento econômico acima da média nacional, o presidente da Alece ofereceu uma leitura técnica do momento cearense. “Só é possível investir porque há responsabilidade fiscal”, resumiu.
O governador Elmano, que falou na sequência, brincou ao dizer que pretende “escalá-lo” como representante do governo em solenidades. A observação, ainda que leve, revela um aspecto estratégico: sendo o governador e, portanto, “o homem a ser batido” na eleição que se aproxima, Elmano precisa de aliados capazes de enfrentar críticas duras da oposição com argumentos concretos.
Num cenário político cada vez mais polarizado, a capacidade de rebater narrativas com dados — e não apenas com discursos — tende a ser um ativo decisivo.




