As divergências entre o Governo do Ceará e a Prefeitura de Fortaleza sobre as obras paralisadas de recuperação e qualificação da Ponte dos Ingleses, na Praia de Iracema, se transformaram em conflito de narrativas marcado por acusações e apontamentos de responsabilidades.
O embate teve início com o anúncio, na manhã desta quarta-feira (26), do prefeito José Sarto de que assumiria integralmente a responsabilidade pela recuperação da ponte, após um longo período de espera pela parte que caberia ao Estado. Por sua vez, o governador Elmano de Freitas alegou que as obras não foram iniciadas porque a gestão municipal não cumpriu sua parte no acordo firmado em 2021, deixando de recuperar adequadamente a base da ponte.
A divergência atingiu um novo patamar com a divulgação do laudo técnico realizado por engenheiros civis da Superintendência de Obras Públicas (SOP) e um bombeiro militar da Companhia de Mergulho e Resgate. O documento apontou que a Prefeitura não realizou de forma satisfatória a recuperação dos pilares, estacas e vigas que sustentam a Ponte dos Ingleses, o que inviabilizou o prosseguimento das obras por parte do Governo do Estado.
De acordo com o Governo do Ceará, cabia à Prefeitura executar a parte mais complexa e onerosa do projeto, que envolvia o tratamento e o reforço da estrutura de concreto da ponte. Entretanto, o laudo da SOP revelou que a estrutura ainda se encontrava deteriorada e corria risco de desabar.

Em nota oficial, a Prefeitura contestou as alegações do Estado, afirmando que cumpriu suas obrigações, recuperando os pilares, estacas e estrutura da base da ponte. Alegou também que as obras foram entregues no início de 2022 e que o Governo do Estado teria mudado sua posição em relação à responsabilidade sobre o equipamento.

Em entrevista à Rádio O Povo/CBN, o secretário de Infraestrutura de Fortaleza, Samuel Dias, classificou laudo estadual como “irresponsável” e “sem nenhuma base técnica”. E disse ainda que que a Prefeitura já tomou “posse da ponte formalmente” e que seguirá com as obras no equipamento dentro de um prazo de seis meses. Previsão é que reforma seja concluída em no máximo 18 meses, mas Município vai tentar adiantar entrega para o segundo semestre de 2024.




