Renúncia de Acilon: O PL é definitivamente bolsonarista no Ceará

Prefeito do Eusébio alega divergências e cede o comando do partido aos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Deputado Carmelo Neto é o novo presidente e André Fernandes poderá ser o candidato a prefeito de Fortaleza.

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Foto: Print de Redes Sociais

O Partido Liberal (PL) tem experimentado movimentações significativas no Ceará, impulsionadas pela crescente influência do bolsonarismo na legenda, que desaguou na renúncia do prefeito do Eusébio, Acilon Gonçalves, ao cargo de presidente da Comissão Provisória do PL no estado. Na carta, enviada ao presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto, Acilon destacou “divergências de entendimento” com outros membros da legenda, notadamente o deputado federal André Fernandes.

As divergências entre os dois não são de hoje, remontam à chegada de Fernandes e outros políticos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro na sigla. Com a saída de Acilon, os bolsonaristas consolidam seu domínio dentro do PL, ganhando espaço para definir os rumos do partido nas eleições municipais.

Um dos pontos de maior especulação é a definição do candidato a prefeito de Fortaleza. Tanto André Fernandes quanto o deputado estadual Carmelo Neto estão na disputa pela benção de Bolsonaro para ingressar na corrida eleitoral. A saída de Acilon Gonçalves da presidência da Comissão Provisória do PL intensifica a expectativa em torno dessa decisão. O fato de Carmelo ter sido escolhido para substituir Acilon na presidência parece indicar que Fernandes será o candidato.

Em Caucaia, município da Região Metropolitana de Fortaleza, o cenário já se mostra mais claro, com o Coronel/PM Aginaldo, esposo da deputada federal Carla Zambelli (SP), sendo apresentado como pré-candidato. Aginaldo já está à frente do diretório municipal do PL na cidade.

Acilon Gonçalves, por sua vez, anunciou que dedicará seus esforços exclusivamente ao grupo que lidera, composto atualmente por cinco prefeitos da Região Metropolitana (Aquiraz, Beberibe, Cascavel, Itaitinga e Pindoretama), além dele próprio. Nos bastidores, circula a informação de que esse grupo migrará para o recém-criado Partido Renovação Democrática (PRD), resultado da fusão entre o Patriotas e o PTB.

Faz sentido. Acilon é um político pragmático, e como tal precisa de espaço para definir estratégias para manter viva sua liderança sem, necessariamente, se ater a questões ideológicas. Basta lembrar que, mesmo o PL sendo da base do governo Bolsonaro, no Ceará, sob seu comando, compunha a base do governo petista de Camilo Santana, situação que persistiu até o início da corrida eleitoral de 2022.

Dito isto, o certo é que, à medida que se aproximam as eleições municipais, a disputa por espaços e alianças promete manter a política cearense em estado de efervescência.