Sem câmeras nas fardas: Ciro apresenta sua escolha para a Polícia

Proposta contrapõe autonomia dos agentes e cobrança por transparência nas operações.

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Ciro Gomes levou ao Conjunto Palmeiras, nesta segunda-feira (24), uma das propostas mais controversas de sua agenda para a segurança pública: governando o Ceará, não pretende adotar câmeras corporais nos uniformes policiais.

O candidato a governador do PSDB afirmou que deseja “libertar a Polícia do Ceará” e criticou a atuação da Controladoria Geral de Disciplina (CGD), acusando o órgão de inverter a presunção de inocência dos agentes.

Na prática, Ciro propõe dar maior autonomia às corporações antes de discutir mecanismos para conter eventuais abusos. “Depois a gente vai ver”, declarou, ao situar esse controle numa etapa posterior ao restabelecimento da ordem.

A posição o aproxima do discurso de setores da direita na segurança pública. Ronaldo Caiado, governador de Goiás e candidato do PSD à Presidência, mantém oposição aberta às câmeras policiais.

Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, começou o mandato questionando a eficácia dos equipamentos, mas posteriormente reviu o discurso. Sua gestão manteve o programa, embora tenha substituído a gravação contínua por um modelo que permite acionamento manual.

Ao rejeitar as câmeras, Ciro estabelece uma diferença clara em relação às políticas de fiscalização das ações policiais. O tema deverá provocar debate na campanha: de um lado, a defesa da autonomia dos agentes; do outro, a cobrança por transparência e produção de provas que também podem proteger o próprio policial.