Tarifas caem, pressão continua

Medida dos EUA anima exportadores, mas governo brasileiro busca avançar em setores ainda prejudicados pelo tarifaço.

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A decisão de Donald Trump de retirar a tarifa extra de 40% sobre parte das exportações brasileiras é um movimento que reabre um canal importante entre Brasília e Washington. O gesto, embora restrito a produtos agrícolas como carne, café e frutas, representa mais do que um acerto comercial: indica que a interlocução política voltou a funcionar após meses de ruído e tensão.

Tanto o Planalto quanto o Itamaraty atribuem o avanço às conversas diretas entre Lula e Trump — primeiro por telefone, depois presencialmente na Malásia. A leitura é de que houve uma revisão de postura americana, especialmente porque as tarifas tinham sido impostas em meio a um ambiente de disputa política, incluindo referências públicas de Trump ao julgamento do STF. Agora, o próprio presidente dos EUA reconhece que as explicações dadas pelo governo brasileiro pesaram na reavaliação.

O impacto imediato já é sentido por setores exportadores. Entidades como a ABIEC, que representa o setor de exportação de carnes, comemoram a previsibilidade recuperada e a possibilidade de reaquecer negócios que estavam represados. Mas o governo brasileiro sabe que o trabalho está longe de terminar. Persistem barreiras sobre produtos industriais — móveis, madeira, calçados e máquinas — que, ao contrário das commodities, atingem cadeias produtivas que dependem fortemente do mercado americano.

Politicamente, a retirada da tarifa reduz um argumento recorrente da oposição, segundo o qual o Brasil teria perdido espaço no diálogo com os EUA. Ao mesmo tempo, demonstra que Washington também sentia os efeitos internos do encarecimento de bens importados. A recomposição, portanto, atende aos dois lados.

O desafio agora é transformar esse gesto inicial em uma agenda mais ampla: negociar novas exclusões tarifárias, buscar a suspensão das sanções da Lei Magnitsky e estabilizar as regras para 2026. O recado é claro — quando há conversa, há resultado. O desafio agora é manter esse ritmo.