Fotos: Paulo César Norões
O prefeito eleito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), trouxe à tona preocupações com o cenário financeiro da capital cearense. Durante entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira (27) Leitão revelou um diagnóstico inicial que aponta para um passivo de pelo menos R$ 400 milhões em dívidas com fornecedores, embora o montante real possa ser significativamente maior.
“Esses R$ 400 milhões representam apenas o que foi possível identificar até agora. No entanto, já recebemos informações sobre serviços prestados há meses que não foram sequer empenhados. A dívida total é, provavelmente, muito superior”, afirmou.
Entre os casos citados, destacam-se relatos de atrasos salariais em organizações sociais, com serviços prestados há cinco meses ainda sem liquidação. O prefeito eleito também mencionou débitos com cooperativas de médicos, que alegam atrasos superiores a seis meses nos honorários.
Falta de dados e operações de crédito
A equipe de transição de Leitão tem enfrentado dificuldades no acesso às informações detalhadas sobre a atual situação fiscal. Segundo o gestor eleito, a ausência de dados completos compromete a clareza no diagnóstico das contas públicas.
“Além dos R$ 400 milhões, há operações de crédito já contratadas que somam R$ 1 bilhão apenas para o próximo ano. Ao longo do mandato, esse valor pode ultrapassar R$ 3 bilhões. Isso demonstra que a cidade assumiu compromissos que terão impacto significativo na próxima gestão”, pontuou. Leitão também destacou que muitos desses empréstimos foram firmados com bancos nacionais, implicando em juros mais altos em comparação com instituições internacionais.

Surpresas e limitações na transição
Desde o início do processo de transição, iniciado em novembro, a equipe de Leitão identificou desafios que extrapolam o campo financeiro. Entre as situações apontadas, está a redução do Réveillon de Fortaleza de três para um único dia, além da interrupção de programas sociais como o Bolsa Jovem, que impacta diretamente esportistas locais.
Outra questão levantada foi o aumento do subsídio ao transporte público. A despesa, que em 2024 será de R$ 158 milhões, subirá para R$ 248 milhões no ano seguinte. Leitão questionou a ausência de comunicação prévia sobre esse reajuste com a equipe de transição, destacando que medidas com impacto direto na próxima gestão deveriam ser tratadas com mais transparência.
Posição da vice-prefeita eleita
Gabriella Aguiar (PSD), vice-prefeita eleita e coordenadora da transição, também expressou frustração com o processo.
“Até agora, tivemos mais de dez reuniões com representantes da atual gestão. Contudo, muitas vezes o foco foi em divulgar conquistas, o que soava mais como propaganda. Precisávamos de informações concretas, como convênios e contratos, para planejar o futuro da cidade”, afirmou.
Com os desafios mapeados, a gestão de Evandro Leitão entra em 2025 com a missão de reorganizar as contas públicas, garantir a continuidade de serviços essenciais e buscar soluções para evitar que Fortaleza enfrente uma crise fiscal prolongada.




