Fotos: Helene Santos e Lucas Almeida
As obras da Ferrovia Transnordestina deram mais um passo no Ceará com a assinatura da ordem de serviço do lote 8, que vai interligar os municípios de Quixadá, Itapiúna, Capistrano e Baturité. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (5), em cerimônia realizada em Baturité, e marca o início de um novo trecho de 46 quilômetros de extensão. O investimento previsto é de R$ 1 bilhão.
A solenidade reuniu autoridades federais, estaduais e municipais, como o governador Elmano de Freitas e o ministro dos Transportes, Renan Filho.
“Já colocamos em obra o lote 11, agora colocamos o 8, e falta colocar mais dois lotes em obra. Quando esses dois últimos lotes estiverem em obra, o que vai acontecer até setembro, nós teremos na Transnordestina 8 mil pessoas trabalhando até o final do ano”, afirmou o ministro dos Transportes, Renan Filho.

Além de representar um marco logístico, o novo trecho da Transnordestina deve gerar entre 800 e mil empregos diretos. O projeto inclui a construção de três pontes, dois viadutos e quatro passagens de nível ao longo do percurso.
A expectativa do Governo Federal é concluir a primeira fase da ferrovia até 2027, com recursos do Novo PAC. Desde a retomada dos investimentos em 2023, o empreendimento entrou em ritmo acelerado. De acordo com dados oficiais, cerca de 75% da primeira fase já está concluída. A segunda etapa tem entrega prevista para 2029.
O traçado total da Transnordestina terá 1.206 km, cortando 53 municípios do Nordeste e conectando Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém, no Ceará. Só no território cearense, serão 608 km, passando por 28 cidades e com previsão de três terminais de carga, incluindo um voltado ao agronegócio, entre Iguatu e Quixadá. A definição dos outros dois terminais – um para combustíveis e outro para fertilizantes – ainda está em estudo.
Durante visita a um trecho em obras em Quixadá, o ministro Renan Filho ouviu de um operário que trabalha no projeto desde 2006 que “nunca tinha visto a obra andar com essa velocidade”.
o governador Elmano, natural de Baturité, o momento é simbólico. Ele ressaltou a importância da ferrovia como vetor de desenvolvimento e lembrou a relevância histórica da estação ferroviária do município.
“A nossa estação era ponto de encontro e negócios. Vamos trabalhar para atrair investimentos no entorno da ferrovia.”

Além dos trilhos, o Ceará também projeta integrar portos secos ao novo corredor logístico. Em Quixeramobim, já está confirmado o primeiro complexo multimodal do estado, com investimento de R$ 500 milhões da empresa Value Global Group. A estrutura terá uma Estação Aduaneira do Interior (EADI) e deve gerar 1,3 mil empregos, entre diretos e indiretos. Outro estudo avalia a instalação de um segundo porto seco em Missão Velha, no Cariri.
Com a chegada da Transnordestina, o Ceará se reposiciona como elo estratégico para o escoamento de grãos, minérios e combustíveis do interior do Nordeste ao litoral. A estimativa é de que as operações de carga comecem em 2025, a partir do terminal intermodal de Bela Vista do Piauí.





