Transporte coletivo em pauta: vereadores discutem reestruturação e passe livre universal

A audiência proposta por Aglaylson (PT) reacende o debate sobre o futuro da mobilidade e o papel dos subsídios públicos.

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A Câmara Municipal de Fortaleza realiza, nos próximos dias, audiência pública para debater a reestruturação do sistema de transporte coletivo da Capital. O requerimento é do vereador Aglaylson (PT), que defende um diálogo amplo e técnico com representantes do Poder Público, sindicatos, universidades e movimentos sociais. O objetivo é discutir soluções para problemas como linhas desativadas, horários irregulares, lotação e baixa cobertura em horários noturnos e áreas periféricas.

A discussão ganha força após o episódio que, no fim de setembro, deixou a população sem 25 linhas de ônibus por decisão unilateral do Sindiônibus. A suspensão, motivada por pressões por reajuste nos repasses municipais, gerou desgaste entre as empresas e a Prefeitura. Desde 2020, os subsídios públicos ao setor aumentaram mais de 550%, saltando de R$ 24 milhões para R$ 158 milhões neste ano, sem contar benefícios fiscais.

Paralelamente, o movimento Busão 0800 tenta engajar a sociedade e a classe política em torno da proposta de tarifa zero universal. O projeto, apoiado por dez vereadores, prevê que o financiamento do transporte gratuito seja feito por grandes empresas, com base em contribuições proporcionais ao número de funcionários. A ideia, inspirada em estudo do Instituto Rosa Luxemburgo, propõe ainda a criação de um fundo municipal de mobilidade urbana.

Durante o debate na Câmara, parlamentares destacaram a importância de um modelo sustentável e inclusivo. Enquanto uns defendem que o custeio envolva o setor produtivo, outros pedem participação também do Congresso e de emendas parlamentares. Fortaleza já possui o passe livre estudantil, implantado em 2023, que garante duas passagens diárias a alunos de escolas públicas e privadas.

A expectativa é que a audiência amplie o diálogo e a transparência sobre o futuro da mobilidade urbana da capital, em meio ao desafio de conciliar equilíbrio financeiro e direito ao transporte acessível.